Quatro comportamentos invulgares dos cães: o que significam

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Cão alerta sentado dentro de casa, a olhar na direção de um som

Porque é que estes comportamentos podem parecer misteriosos

Os cães fazem muitas coisas que nos parecem intrigantes: dar uma longa lambidela, arrancar de repente a correr, tentar engolir algo que não é comida ou arrastar o rabo pelo chão. A ação visível é apenas uma pista. O cão pode estar a cumprimentá-lo, a explorar um cheiro, a libertar excitação, a sentir desconforto ou a repetir um hábito que se tornou difícil de interromper.

Resposta rápida: dar lambidelas e ter momentos de correria frenética são comportamentos muitas vezes normais quando o cão está descontraído, confortável e consegue acalmar-se. Comer objetos que não são alimentos e arrastar repetidamente o rabo pelo chão exigem mais atenção, pois podem causar ou indicar um problema físico. Observe o que desencadeia o comportamento, a linguagem corporal, a frequência e o que acontece depois, em vez de atribuir um único significado a todos os cães.

Use as quatro explicações abaixo como ponto de partida, não como diagnóstico. Se o comportamento surgir de repente, se estiver a intensificar-se, for doloroso ou vier acompanhado de sinais físicos, contacte o seu veterinário.

1. Porque é que o meu cão me lambe?

Um cão pode lamber uma pessoa para a cumprimentar, procurar atenção, investigar um cheiro ou sabor, fazer higiene social ou repetir uma interação que foi recompensada com conversa, festas ou risos. Lamber não tem uma interpretação universal, como “amo-te”. A pessoa, a zona do corpo, a hora do dia e a sua reação ajudam a explicar o padrão.

Cão a lamber suavemente a mão de uma pessoa durante um cumprimento tranquilo

Uma lambidela breve durante um cumprimento descontraído é diferente de lamber de forma frenética, repetitiva ou difícil de interromper. Observe se o seu cão tem o corpo descontraído, apetite normal e facilidade em passar para outra atividade. Considere também explicações sensoriais simples: a pele pode ter suor, restos de comida, creme ou um cheiro interessante do exterior.

O que fazer quando as lambidelas são bem-vindas ou fáceis de gerir

  • Defina uma regra consistente para toda a família. Se não quiser que o cão lhe lamba o rosto, vire-se calmamente e ofereça uma alternativa, como sentar-se, um brinquedo ou uma breve brincadeira de procura de cheiros.
  • Recompense o comportamento que quer incentivar, como o cão acalmar-se ao seu lado, tocar-lhe suavemente na mão ou responder a um comando, em vez de o repreender. A atenção pode, sem querer, tornar as lambidelas persistentes ainda mais recompensadoras.
  • Anote quando começam as lambidelas. O momento depois das refeições, do exercício, da chegada de visitas, de períodos sozinho ou de situações de stress pode apontar para diferentes fatores desencadeantes.

Marque uma consulta veterinária se as lambidelas forem novas e intensas, interromperem o sono ou a alimentação, se estenderem às patas ou à pele, causarem feridas ou surgirem juntamente com dor, comichão, alterações digestivas ou ansiedade. As lambidelas repetitivas podem ter causas médicas e comportamentais; o artigo como interpretar a linguagem corporal do seu cão pode ajudá-lo a observar o contexto mais amplo enquanto procura assistência.

2. O que são os zoomies dos cães?

“Zoomies” é o nome informal dado a períodos de atividade frenética aleatória, ou FRAPs: uma breve explosão de corridas, mudanças de direção, convites para brincar ou saltos. Podem acontecer depois de um período de descanso, de um banho, de uma brincadeira entusiasmante, de um reencontro ou de algum tempo com pouca estimulação. As orientações de comportamento veterinário não apontam uma única causa para todos os episódios, por isso é mais útil observar o cão como um todo do que considerar cada corrida um sinal de felicidade ou de mau comportamento.

Cão a correr por uma sala de estar desimpedida durante um momento de zoomies brincalhão

Um cão que está a brincar costuma ter o corpo descontraído e flexível e recupera depois da corrida. Um cão que permanece tenso, mantém a cauda bem recolhida, baixa a cabeça, parece assustado ou demonstra dor está a transmitir um sinal diferente. Um padrão novo num cão mais velho, episódios frenéticos repetidos ou uma explosão de energia depois de um acontecimento stressante são motivos para falar com um veterinário.

Como tornar os zoomies mais seguros

  • Afaste objetos escorregadios, cantos afiados, escadas, móveis frágeis e outros obstáculos contra os quais o cão possa embater antes de o deixar correr dentro de casa.
  • Utilize uma área exterior segura e vedada. Não persiga um cão que esteja a correr; espere por uma pausa segura e chame-o na sua direção com uma voz calma.
  • Depois, ofereça-lhe água e uma oportunidade tranquila para se acalmar. Ao longo do dia, inclua passeios adequados à idade, atividades de exploração de cheiros, treino, descanso e enriquecimento, em vez de tentar cansar o cão com uma única sessão intensa.
  • Não interrompa um FRAP seguro, com o corpo descontraído, agarrando a coleira ou as patas. Se o cão parecer aflito ou puder estar ferido, crie espaço e procure ajuda profissional.

3. Porque é que o meu cão come objetos que não são alimentos?

Os cachorros podem levar objetos à boca ou roê-los enquanto exploram, mas engolir repetidamente papel, tecido, plástico, pedras, casca de árvore ou outros objetos que não são alimentos chama-se pica. Este comportamento pode estar relacionado com exploração, tédio ou frustração, ansiedade, um problema gastrointestinal ou metabólico, parasitas, uma alimentação desequilibrada, efeitos de medicamentos ou um padrão compulsivo. Por isso, dizer “o meu cão comeu algo estranho” não fornece informação suficiente para identificar a causa.

A preocupação imediata é o acesso e a segurança. Um objeto não digerível ou afiado pode causar asfixia, lesões dentárias ou uma obstrução. Contacte rapidamente um veterinário se o seu cão engoliu um objeto desconhecido, afiado, grande ou potencialmente tóxico, ou se surgirem vómitos, dor abdominal, perda de apetite, fraqueza, gengivas pálidas ou dificuldade em defecar. Não espere por uma explicação comportamental antes de resolver uma possível emergência por ingestão.

Primeiros passos mais seguros para um cão que apanha objetos do chão

  • Retire do chão os objetos que mais o atraem, mantenha o lixo e a roupa suja fora do alcance e supervisione-o nos locais onde o comportamento acontece. A gestão do ambiente evita uma segunda ingestão enquanto investiga a primeira.
  • Ensine os comandos “deixa” e “larga” com objetos pouco valiosos e recompensas, avançando gradualmente. Troque o objeto por uma recompensa em vez de disputar ou puxar, exceto se se tratar de uma emergência imediata.
  • Ofereça atividades adequadas para roer, explorar cheiros e utilizar brinquedos dispensadores de comida. Sempre que possível, use parte da refeição habitual para que o enriquecimento não acrescente calorias em excesso sem se aperceber.
  • Não presuma que um suplemento ou uma alteração da alimentação vão resolver a pica. Antes de recomendar um plano, o veterinário poderá avaliar a alimentação, os medicamentos, as fezes e as análises ao sangue, os dentes, a digestão e o historial comportamental.

Registe o que foi comido, a quantidade que poderá estar em falta, quando aconteceu e quais os sintomas. Esta informação pode ser mais útil do que tentar decidir em casa se o comportamento é “nutricional” ou uma forma de “procurar atenção”. Se ocorrerem vómitos após uma possível ingestão, consulte o que os vómitos podem significar nos cães enquanto contacta a sua equipa veterinária.

4. Porque é que o meu cão arrasta o rabo pelo chão?

Arrastar o rabo pelo chão normalmente significa que a zona à volta do ânus causa comichão, está irritada ou provoca desconforto. Os sacos anais cheios ou obstruídos são uma causa frequente, mas as alergias, uma infeção da pele, parasitas como as ténias, uma ferida, uma massa ou outra irritação podem apresentar sinais semelhantes. Um breve arrastamento depois de defecar é diferente de arrastar-se repetidamente, lamber a zona ou fazer esforço.

Procure sinais associados: um odor forte e recente, relutância em sentar-se, gemidos ao defecar, lambidelas frequentes na zona traseira, vermelhidão, inchaço, pelo emaranhado, corrimento oleoso, sangue ou pus. Arrastamento repetido, dor, inchaço, corrimento, sangue ou dificuldade em defecar justificam um exame veterinário. Evite apertar a zona ou aplicar um tratamento caseiro sem orientação veterinária; os cuidados adequados dependem da causa.

A prevenção de parasitas e as alterações nas fezes podem ser relevantes, mas o arrastamento do rabo, por si só, não permite saber se existem vermes. O guia como detetar possíveis parasitas no seu cão explica por que motivo a observação e os exames são importantes.

Como interpretar um comportamento estranho sem fazer suposições

Um breve registo de observação transforma um momento curioso em informação útil. Nos próximos episódios, anote:

  1. Gatilho: O que aconteceu nos cinco minutos anteriores: comida, visitas, exercício, banho, estar sozinho, um objeto novo ou uma evacuação?
  2. Linguagem corporal: O cão estava descontraído e a abanar-se, ou tenso, encolhido, de olhos muito abertos, vocalizava ou mostrava-se desconfiado?
  3. Frequência e duração: Com que frequência acontece, quanto tempo dura e está a tornar-se mais frequente?
  4. Pode ser interrompido? O cão consegue responder a um comando conhecido, aceitar uma recompensa ou acalmar-se depois de o gatilho terminar?
  5. Sinais físicos: Há vómitos, diarreia, alterações do apetite, claudicação, comichão, vermelhidão, inchaço, corrimento, hemorragia, fraqueza ou dor evidente?

Este registo não permite diagnosticar o cão. Ajuda-o a detetar alterações e fornece ao veterinário ou profissional de comportamento um historial mais claro.

Cinco passos seguros a seguir

  1. Dê espaço ao cão e elimine os perigos imediatos, em vez de o agarrar, perseguir ou castigar.
  2. Se o comportamento for invulgar e o cão não estiver aflito, faça um breve vídeo a uma distância segura.
  3. Ofereça uma alternativa tranquila, como farejar, responder a um comando conhecido, roer algo seguro ou descansar num local sossegado, mas apenas quando for seguro fazê-lo.
  4. Anote o gatilho, a frequência, a linguagem corporal e os sinais físicos.
  5. Contacte o veterinário quando o comportamento surgir de repente, persistir, causar dor, for compulsivo ou estiver associado à possível ingestão de algo ou a outro sinal de alerta.

Perguntas frequentes

Os comportamentos estranhos dos cães são sempre sinal de um problema?

Não. Muitos comportamentos são normais no contexto certo. Um padrão novo, cada vez mais frequente, doloroso, compulsivo ou que cause perturbações físicas merece mais atenção. A linguagem corporal no seu conjunto e quaisquer sinais físicos são mais importantes do que o rótulo «estranho».

Devo impedir o meu cão de ter picos de energia?

Se o cão estiver descontraído, brincalhão e num espaço fechado e seguro, normalmente pode deixá-lo gastar essa energia. Elimine os perigos e evite agarrar um cão que esteja a correr. Se parecer assustado, tiver dores ou não conseguir acalmar-se, procure aconselhamento veterinário.

Comer papel significa que o meu cão precisa de mais nutrientes?

Não necessariamente. A ingestão persistente de objetos que não são alimentos pode ter causas exploratórias, comportamentais, digestivas, metabólicas, alimentares, relacionadas com medicamentos ou outras causas médicas. Impessa-lhe o acesso e peça ao veterinário que avalie o comportamento, em vez de dar suplementos por sua iniciativa.

Arrastar o traseiro no chão significa que o meu cão tem vermes?

Os vermes são uma possibilidade, mas os sacos anais cheios, as alergias, uma infeção, a irritação e outras condições também podem levar o cão a arrastar o traseiro no chão. Se o comportamento se repetir ou houver dor, inchaço, sangue ou corrimento, o cão deve ser observado por um veterinário.

Fontes e leituras adicionais

Este guia resume informação geral de Cornell University College of Veterinary Medicine sobre os picos de energia, VCA sobre pica, Merck Veterinary Manual sobre o comportamento canino, PetMD sobre o ato de lamber, e PetMD sobre arrastar o rabo pelo chão. É informação geral, não um diagnóstico nem substitui os cuidados veterinários.

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