Porque é que o meu cão escorrega no chão de madeira?

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Porque é que o meu cão escorrega no chão de madeira? Um plano de segurança para casa

O som agudo das unhas a raspar no chão de madeira é mais do que desagradável. Pode significar que o chão está a reduzir a aderência das patas do seu cão, mas também pode tornar mais evidente um novo problema relacionado com dor, equilíbrio, força ou conforto das patas.

O plano abaixo ajuda a tornar a casa mais segura hoje, a comparar possíveis fatores relacionados com a aderência, a registar observações úteis e a reconhecer quando é altura de deixar de procurar soluções no chão e recorrer ao veterinário.

Porque é que o meu cão escorrega no chão de madeira?

Um cão pode escorregar porque uma superfície lisa oferece pouca aderência para a forma como esse cão se movimenta. O problema pode tornar-se mais evidente quando acelera, muda de direção, se levanta, aterra depois de saltar ou caminha com as patas molhadas. O comprimento das unhas, o pelo entre as almofadas das patas, uma pata dorida, hesitação, dor, fraqueza e alterações no equilíbrio também podem influenciar o que observa.

O chão faz parte da situação, mas nem sempre explica tudo.

Uma pequena experiência com diferentes pavimentos ajuda a mostrar por que razão a superfície é importante. Os investigadores observaram 12 cães domésticos de pequeno porte a deslocarem-se sobre seis materiais de pavimento com diferentes níveis de resistência ao escorregamento. Nos pavimentos com menor resistência ao escorregamento, os cães abrandaram os movimentos, aparentemente para evitar derrapar. A experiência J-STAGE sobre a aderência dos pavimentos para cães sustenta uma ideia prática: as alterações no chão podem mudar a forma como um cão se movimenta.

Esse estudo foi pequeno, limitou-se a determinados cães de pequeno porte e não avaliou lesões nem a frequência de quedas em casa. Não permite afirmar que todos os pavimentos de madeira, azulejo ou laminados são inseguros. Também não fornece um valor universal que possa encontrar na etiqueta de um pavimento e aplicar a todos os cães.

Em casa, o que importa é a combinação de:

  • Acabamento, limpeza, secura e aderência efetiva do pavimento
  • Velocidade, direção, postura e confiança do cão
  • Estado das unhas, almofadas das patas, pele e pelo à volta dos pés
  • Tamanho, constituição física, idade e forma habitual de se movimentar do cão
  • Qualquer dor, fraqueza, rigidez, lesão ou perda de equilíbrio
  • O próprio percurso, incluindo cantos, soleiras, escadas e zonas de aterragem

Um cão jovem que derrapa enquanto corre à volta de um canto pode ter um problema diferente do de um cão idoso cujas patas traseiras escorregam enquanto está junto à taça da água. Um cão que só escorrega em madeira polida apresenta um padrão diferente do de um cão que também tropeça em carpetes, relva e passeios.

Esta distinção é útil, mas não permite fazer um diagnóstico. Os escorregões, por si só, não provam a existência de artrite, displasia da anca, um problema na coluna, uma doença neurológica, ansiedade ou simples falta de jeito. Também pode estar presente mais do que um fator. Um cão com um desconforto ligeiro pode lidar bem com uma carpete e ter dificuldade num chão de madeira, porque a superfície mais dura exige um apoio mais preciso.

Cão a encontrar um apoio firme num chão de madeira liso.
Um chão liso pode alterar a forma como um cão acelera, muda de direção, se levanta e apoia as patas, mas a superfície, por si só, não explica todas as alterações de movimento.

Torne o percurso mais seguro nos próximos dez minutos

A alteração útil mais rápida é cobrir o percurso que o seu cão realmente utiliza, e não todos os metros quadrados de pavimento liso. Crie um caminho contínuo entre os locais essenciais e, depois, trate dos cantos, das transições e das zonas de aterragem, onde é exigido mais apoio às patas.

As orientações da AAHA para adaptar a casa a animais de companhia séniores incluem tapetes, colchões de ioga, passadeiras de carpete, rampas e portões entre as alterações ambientais que podem proporcionar um apoio melhor ou facilitar a mobilidade de animais com limitações. Estas recomendações ajudam a criar um espaço mais seguro, mas não comprovam que um determinado acessório evite todas as quedas.

Um percurso com boa aderência em dez minutos

  1. Impeça o acesso à zona de maior risco. Use uma barreira, uma porta fechada, a disposição dos móveis ou supervisão para evitar outra tentativa descontrolada enquanto trabalha.
  2. Identifique o percurso essencial. Comece pelo percurso entre a cama do cão e a porta, a água, a comida e a principal área da família. Se o cão tiver de atravessar uma divisão comprida, cubra todo o trajeto em vez de colocar um tapete pequeno no centro.
  3. Garanta um apoio seguro do início ao fim. Use passadeiras, tapetes ou superfícies antiderrapantes temporárias que permaneçam bem assentes quando pisadas. Deixe o menor número possível de zonas descobertas.
  4. Cubra as zonas de impulso, aterragem e mudança de direção. Coloque superfícies com boa aderência nos locais onde o cão se levanta da cama, entra num corredor, se aproxima de uma porta, sai de um degrau ou aterra depois de saltar de um móvel.
  5. Mantenha o percurso seco e limpo. A água junto às taças, a chuva trazida do exterior, os resíduos de produtos de limpeza, o pó solto e a gordura da comida podem tornar ainda mais difícil atravessar um chão já liso.
  6. Torne a próxima tentativa mais lenta. Caminhe calmamente ao lado do cão. Evite chamá-lo de forma entusiasmada, atirar um brinquedo pelo percurso ou incentivá-lo a correr para "testar" a mudança.
Percurso contínuo de tapetes numa divisão com chão de madeira liso
O objetivo é criar um percurso contínuo entre os locais essenciais, com cobertura segura nas curvas, soleiras e zonas de aterragem.

A verificação divisão a divisão

Use esta lista de verificação agora e repita-a depois de a família ter utilizado esta solução durante algumas horas.

A VCA recomenda que os tapetes e as passadeiras de apoio sejam também antiderrapantes, sem cantos levantados ou enrolados que possam tornar-se um risco de tropeçar. A sua orientação para casas com cães com mobilidade condicionada também destaca as zonas utilizadas com frequência, as áreas de aterragem, as escadas, as unhas e o pelo entre os dedos.

O erro mais comum é espalhar pequenos tapetes, deixando entre eles espaços lisos. Para uma pessoa, essa disposição pode parecer um caminho, mas um cão inseguro pode vê-la como uma série de saltos. Os espaços são especialmente difíceis nos pontos em que o cão tem de virar ou transferir o peso.

Teste o percurso, não o rótulo

Um produto descrito como antiderrapante não é automaticamente estável em sua casa. O acabamento do chão, o pó, o material da base, a humidade, o tempo de utilização do tapete, o tamanho do cão e a direção da força podem afetar o deslocamento.

Pressione e empurre cada cobertura com o pé, a partir de várias direções. Depois, observe-a durante uma passagem lenta e supervisionada. O seu percurso pode ter um de três resultados:

  • Contínuo: O cão consegue deslocar-se entre dois destinos essenciais sem pisar o chão liso exposto.
  • Parcial: As zonas retas estão cobertas, mas continuam a existir espaços nos cantos, nas soleiras, junto às taças ou nas zonas de chegada.
  • Instável: Um tapete, passadeira ou esteira escorrega, enrola-se, forma pregas ou estreita o percurso utilizável.

Corrija os percursos parciais ou instáveis antes de avaliar se o plano geral ajudou. Para uma adaptação mais abrangente da casa para um cão sénior, o guia sobre tapetes, rampas, descanso e alterações mais seguras em casa alarga esta avaliação a camas, zonas de recuperação e acessos do dia a dia.

O que devo verificar nas patas e unhas do meu cão?

Observe cada pata para identificar um problema simples de tração ou conforto, mas pare se o manuseamento causar dor, medo ou resistência. Verifique as unhas, o pelo à volta das almofadas plantares, a superfície das almofadas, a pele entre os dedos e qualquer material preso à pata.

Comece por uma inspeção visual tranquila

Escolha um local confortável e bem iluminado, com uma superfície segura para apoiar as patas. Se o seu cão tolerar que lhe mexam nas patas, examine uma de cada vez, sem puxar a perna para uma posição não natural.

Procure:

  • Uma unha rasgada, partida, a sangrar ou com uma inclinação invulgar
  • Vermelhidão, inchaço, corrimento ou uma ferida visível
  • Um corte, queimadura, fissura, bolha ou zona em carne viva numa almofada plantar
  • Pastilha elástica, lama, gelo, matéria vegetal ou outra substância presa à pata
  • Um objeto estranho que pareça estar cravado
  • Pelo emaranhado ou comprido a cobrir ou a crescer entre as almofadas plantares
  • Humidade, produto de limpeza, loção, óleo ou cera nas almofadas plantares
  • Lamber ou roer repetidamente uma das patas
  • Uma reação forte quando alguém se aproxima de um dedo ou de uma pata

As orientações veterinárias da VCA sobre lesões nas patas dos cães recomendam verificar a parte inferior da pata para detetar lesões visíveis ou materiais aderentes que possam ser removidos facilmente. Sangramento, queimaduras, feridas, inchaço, sinais de infeção, objetos cravados e dor persistente justificam uma avaliação veterinária.

Não explore uma ferida nem tente retirar algo que esteja profundamente cravado. Um cão com dores pode morder, mesmo que normalmente seja fácil mexer-lhe nas patas. Se o seu cão se afastar bruscamente, ganir, rosnar ou proteger a pata, pare de a manipular e contacte um veterinário.

As unhas e a tração exigem uma avaliação ponderada

Vale a pena verificar se as unhas estão compridas, uma vez que as orientações veterinárias sobre mobilidade recomendam habitualmente mantê-las num comprimento adequado. As unhas que tocam no chão antes das almofadas plantares ou alteram a forma como a pata assenta podem contribuir para problemas práticos de apoio num determinado cão.

Ainda assim, corte as unhas e o cão deixará de escorregar é uma conclusão demasiado categórica.

Um estudo da Frontiers sobre o corte das unhas de cães saudáveis comparou medições da marcha numa passadeira antes e depois do corte. Não encontrou alterações em várias medições gerais da marcha, embora algumas medições locais das patas fossem diferentes. O estudo envolveu cães clinicamente saudáveis numa única avaliação antes e depois do corte, pelo que não esclarece de forma definitiva como o comprimento das unhas afeta a tração nos pavimentos de madeira das casas, nem como o corte influencia um cão com dores ou mobilidade reduzida.

A interpretação prática é simples: mantenha os cuidados com as unhas em dia, mas não use o corte das unhas como prova de que já encontrou a explicação para um novo problema de movimento. As unhas compridas podem ser um dos fatores envolvidos ou podem refletir um menor desgaste natural, porque o cão já se movimentava de forma diferente.

Se as unhas estiverem demasiado compridas, curvas ou danificadas, ou se for difícil cortá-las em segurança, peça ajuda a um veterinário ou a um profissional de grooming experiente. Evite fazer um corte corretivo grande em casa se não conseguir ver onde começa o tecido vivo.

O pelo entre as almofadas plantares pode esconder a superfície de contacto

Nos cães de pelo comprido, o pelo pode ultrapassar as almofadas plantares e tocar primeiro no chão. Aparar o excesso de pelo pode ser uma verificação razoável da tração, sobretudo quando está emaranhado, molhado ou sujo.

Use apenas utensílios de grooming com pontas rombas se o seu cão estiver calmo e conseguir ver claramente a zona. A pele entre as almofadas plantares corta-se facilmente. Quando o cão se mexe de repente, tem pelo escuro e denso, não tolera que lhe mexam nas patas ou tem uma pata dolorosa, um profissional de grooming ou uma equipa veterinária são opções mais seguras.

As almofadas plantares também são mais complexas do que simples superfícies de borracha antiderrapantes. Um estudo de Biology Open sobre a biomecânica das almofadas plantares dos cães utilizou tecido de dois cães e um modelo informático para analisar de que forma a estrutura em camadas das almofadas absorve o impacto. Foi um pequeno estudo laboratorial e de modelação, não um teste de tração em condições domésticas reais, nem de calçado ou produtos para pavimentos. A sua principal utilidade é mostrar que a mecânica das almofadas envolve a estrutura dos tecidos e a forma como suportam cargas; o seu aspeto, por si só, não permite saber por que razão um cão está a escorregar.

Depois da verificação, repare se as quatro patas têm um aspeto semelhante. Uma alteração isolada numa pata, numa unha ou num dos lados merece mais atenção do que um problema geral de grooming que afete todas as patas.

Leia o padrão: superfície, velocidade, direção e momento

Um padrão repetido fornece ao veterinário informações mais úteis do que dizer apenas “Ultimamente, parece escorregar.” Observe o que acontece antes, durante e depois de cada episódio, sem provocar repetidamente um escorregão.

Comece pela superfície. O seu cão movimenta-se normalmente em carpetes, relva, tapetes com base de borracha ou pavimento texturado, mas tem dificuldade em madeira polida ou azulejo? Um padrão específico de determinada superfície sugere que a tração é uma parte relevante do problema, embora não exclua desconforto ou fraqueza.

Em seguida, observe a atividade:

  • Levantar-se da cama
  • Ficar parado junto à taça
  • Começar a andar
  • Parar
  • Virar à esquerda ou à direita
  • Andar devagar
  • Trotar ou correr
  • Andar para trás
  • Passar por uma porta
  • Subir ou descer escadas
  • Saltar para cima ou para fora de um móvel

As diferentes atividades impõem exigências diferentes às patas. Um cão que só escorrega quando corre pode precisar de gerir melhor a velocidade e de ter um percurso mais adequado. Um cão cujas patas traseiras se afastam enquanto está parado pode precisar de uma avaliação veterinária mais atenta, sobretudo se este padrão for recente.

Patas dianteiras, patas traseiras ou o corpo todo?

Tente descrever o que vê sem atribuir uma doença.

Entre as descrições úteis estão:

  • “As duas patas traseiras escorregam para fora quando ela está junto à taça da água.”
  • “A pata dianteira direita escorrega quando ele vira para a esquerda.”
  • “Ela dá passos curtos na madeira, mas anda normalmente sobre o tapete.”
  • “Ele hesita junto à porta e estica-se na direção do tapete comprido.”
  • “As unhas raspam no chão e depois a parte traseira do corpo descai.”
  • “Ele levanta-se normalmente, mas não apoia todo o peso numa das patas.”
  • “Ela atravessa a divisão, mas parece assustada antes de chegar à zona sem tapete.”

Estes pormenores são mais valiosos do que conclusões como “as ancas dele estão a falhar” ou “ela tem artrite”. Essas interpretações podem influenciar aquilo em que repara a seguir e fazer com que ignore sinais contraditórios.

As medições objetivas do movimento têm limitações semelhantes. Um estudo da PLOS ONE sobre a análise da marcha canina incluiu 41 cães clinicamente saudáveis e 21 cães com osteoartrite. Embora o sistema de medição tenha demonstrado uma boa precisão, os resultados sobrepuseram-se o suficiente para que o método não fosse adequado como ferramenta de diagnóstico geral autónoma para a osteoartrite. A observação precisa pode descrever o movimento, mas descrever o movimento não é o mesmo que identificar a sua causa.

Cão observado a caminhar calmamente sobre um tapete antiderrapante
Observe o movimento normal em superfícies lisas e aderentes, sem incentivar um teste rápido ou arriscado.

Procure alterações associadas aos escorregões

Registe os sinais que ocorrem fora do percurso em piso liso:

  • Demorar mais tempo a levantar-se
  • Evitar uma escada ou um salto que utilizava anteriormente
  • Sentar-se durante um passeio
  • Roçar ou arrastar uma pata
  • Desgastar uma ou mais unhas de forma irregular
  • Virar a pata, cruzar as patas ou tropeçar
  • Desviar o peso de uma pata
  • Arfar, tremer, vocalizar ou proteger uma zona do corpo
  • Diminuição do apetite ou isolamento invulgar
  • Relutância em ser tocado
  • Novos acidentes dentro de casa porque chegar à porta se tornou mais difícil

Qual é a opção de aderência mais adequada para cada problema?

A melhor solução de aderência é aquela que cria um percurso estável e utilizável para o seu cão na divisão onde realmente se movimenta. Não existe uma opção universalmente comprovada como a melhor entre tapetes, passadeiras, esteiras, revestimentos, botas, meias, produtos adesivos e dispositivos fixados nas unhas.

Comece por fazer alterações reversíveis no ambiente pois pode colocá-las, testá-las, limpá-las e removê-las sem pedir ao cão que tolere algo preso ao corpo.

Tabela de resolução de problemas de aderência
O que observa Primeira alteração a testar O que deve verificar O que o resultado pode indicar
Escorrega ao atravessar uma divisão ampla Uma passadeira larga e contínua ou superfícies seguras ligadas entre si Não existem espaços expostos, deslocações laterais nem extremidades enroladas Se um percurso estável facilita a travessia
Escorrega ao levantar-se da cama Aderência sob a extremidade da cama e em toda a área onde se põe de pé As quatro patas assentam na superfície Se o impulso inicial a partir do repouso se torna mais firme
As patas afastam-se junto à comida ou à água Uma área ampla, impermeável e antiderrapante à volta das taças A superfície mantém-se seca e não sai do lugar Se a posição de pé e as viragens melhoram com maior aderência
Desliza nas curvas Uma cobertura mais ampla antes, durante e depois da viragem As patas exteriores permanecem sobre o percurso coberto Se o problema está relacionado com a exigência das viragens
Desliza depois de saltar de um móvel Uma ampla zona de receção segura O tapete não desliza bruscamente para a frente com o impacto Se o controlo na receção melhora
Hesita junto a uma determinada porta Cubra o limiar e ambos os acessos Sem folgas visuais, reflexos, bordas levantadas ou um tapete instável Se a própria transição está a contribuir para o problema
Dificuldade num desnível elevado Uma rampa ou um degrau estável, adequado à altura Acesso seguro, largura suficiente, base estável e sem obrigar o cão a saltar Se uma transição que exige menos esforço é mais fácil
Continua a escorregar nos percursos cobertos Deixe de presumir que o chão é o único fator Verifique se há dor, fraqueza, desequilíbrio e sinais em diferentes superfícies Se a avaliação veterinária deve passar a ser uma prioridade

Esta tabela é um guia de resolução de problemas, não uma classificação dos materiais. Um tapete espesso pode parecer seguro, mas criar uma borda elevada difícil de transpor. Um tapete fino pode ficar bem assente, mas deslizar sobre um determinado acabamento. Um passadeira estreita pode funcionar para um cão pequeno, mas ser demasiado estreita para um cão grande, cuja postura se alarga durante uma viragem.

Para o tamanho do cão e a disposição da divisão, o guia de preparação da casa para cães pequenos abrange o acesso aos móveis, as taças, o conforto térmico e percursos com dimensões adequadas. O guia de conforto e aderência para cães grandes aborda caminhos mais largos, o tamanho das camas, o acesso ao veículo e o espaço de que um cão maior precisa para virar em segurança.

Borda de tapete segura que reduz os riscos de tropeçar e escorregar
Uma superfície de aderência deve permanecer plana e segura; uma borda enrolada ou que saia do lugar pode substituir um perigo doméstico por outro.

E quanto a botas, meias, acessórios antiderrapantes e produtos aplicados nas patas?

Os produtos de tração usados nas patas podem ajudar alguns cães, mas o ajuste, a aceitação, o estado da pele, a humidade, a temperatura, o desgaste e a reação ao andar variam. Um cão que anda rigidamente, levanta as patas de forma invulgarmente elevada, rói o produto ou desenvolve vermelhidão não está a beneficiar de uma tração eficaz.

Fale com o seu veterinário ou com um profissional qualificado de reabilitação canina sobre estas opções quando:

  • O cão tem um problema de mobilidade diagnosticado
  • As patas têm feridas, uma doença de pele, inchaço ou sensibilidade alterada
  • Apenas um membro precisa de apoio
  • O cão arrasta uma pata
  • Está a considerar uma utilização diária prolongada
  • Calçado usado anteriormente alterou a marcha ou causou irritação na pele

Não obrigue um cão assustado ou com dores a atravessar o chão só para testar um produto novo. Crie um percurso protegido e faça uma habituação gradual e tranquila depois de considerar possíveis causas médicas.

Rampas e escadas resolvem uma transição, não um percurso sobre o chão aberto

Uma rampa ou um conjunto de escadas para animais pode ajudar quando o problema inclui uma cama, um sofá, o desnível de uma varanda ou outro destino elevado. Mas não substitui a aderência nas zonas de aproximação e de chegada.

Nenhum destes produtos pode diagnosticar ou tratar a causa dos escorregões. Dor súbita, claudicação, fraqueza ou alterações no equilíbrio continuam a exigir uma avaliação profissional.

Quando é que os escorregões são mais do que um problema do chão?

Considere que os escorregões podem ser mais do que um problema do pavimento quando surgem de forma súbita, causam dor, persistem, se agravam, acontecem em várias superfícies ou são acompanhados de fraqueza, desequilíbrio, colapso, traumatismo ou incapacidade de usar normalmente uma pata.

A Cornell explica que as dificuldades em caminhar podem ter origem nos músculos, nas articulações, nos ossos ou no sistema nervoso, e que o historial clínico, juntamente com o exame físico, é essencial. As suas orientações para levar um cão com claudicação ao veterinário recomendam uma avaliação quando a claudicação dura mais de um ou dois dias ou quando é intensa, súbita ou está a piorar.

Esse limite de um a dois dias aplica-se a casos ligeiros e não urgentes de claudicação ou dificuldade em caminhar. Não significa que deva esperar perante sinais graves.

Use este guia para determinar a urgência

Escolha a primeira afirmação que se aplica:

A. O meu cão escorregou uma vez de forma ligeira numa superfície específica, mas movimenta-se normalmente de resto.

Torne o percurso mais seguro, verifique as patas e as unhas, evite movimentos a alta velocidade e observe. Contacte o seu veterinário se o problema se repetir, persistir ou sofrer alterações.

B. O meu cão continua a escorregar, parece mais rígido, evita as atividades habituais, coxeia ou tem dificuldades noutras superfícies.

Marque uma consulta ou procure orientação veterinária com brevidade. Mantenha o percurso seguro enquanto espera, mas não interprete uma melhoria em tapetes como prova de que o problema subjacente está resolvido.

C. O meu cão deixou subitamente de conseguir caminhar normalmente, não consegue apoiar o peso, perde o equilíbrio, cai, parece ter dores significativas ou ficou ferido numa queda.

Procure uma avaliação veterinária de urgência. Não espere por outro episódio nem teste repetidamente a forma como o cão caminha.

D. O meu cão consegue atravessar fisicamente o chão, mas parece assustado e recusa-se a fazê-lo.

Crie um percurso com boa aderência e não o force a atravessar a zona. Fale com o seu veterinário sobre qualquer comportamento de evitamento novo ou que esteja a agravar-se, sobretudo se tiver começado depois de uma escorregadela ou for acompanhado por alterações nos movimentos.

O medo pode passar a fazer parte do padrão. Um caso clínico veterinário publicado sobre o medo de pisos escorregadios descreveu um cão de assistência adulto cuja avaliação médica não identificou qualquer patologia antes de ser feito um diagnóstico comportamental e iniciado um tratamento orientado pelo veterinário. Tratou-se de um único caso, que envolveu várias intervenções, pelo que não permite identificar a causa da recusa de outro cão em atravessar o chão nem justificar a administração de medicação em casa. A sequência essencial é: primeiro, fazer uma avaliação médica; depois, elaborar um plano comportamental, quando adequado.

Para uma explicação mais abrangente sobre as categorias de apoio e os limites de uma abordagem que coloca o veterinário em primeiro lugar, consulte o guia de mobilidade para animais de companhia seniores, para um apoio mais seguro em casa.

Que informações devo registar para o meu veterinário?

Registe quando começaram as escorregadelas, onde acontecem, o que o cão está a fazer nesse momento, quais as patas envolvidas e se o padrão está a mudar. Um vídeo curto pode captar movimentos intermitentes ou específicos de uma determinada superfície, mas não substitui um exame.

A AAHA recomenda que os tutores façam observações sistemáticas e que o veterinário analise fotografias ou vídeos feitos em casa quando os sinais são intermitentes. As suas orientações para a avaliação da dor crónica em cães também alertam para o facto de as ferramentas utilizadas pelos tutores poderem ser tendenciosas e não serem específicas de uma única condição. O objetivo é fornecer um historial mais completo, não diagnosticar o cão em casa.

Um registo simples das escorregadelas

Informações a registar depois de um episódio de escorregadela
Registe Informação útil
Data e hora Registe o primeiro episódio e cada alteração significativa
Superfície Madeira, azulejo, laminado, tapete, alcatifa, relva, pavimento, escadas
Estado do chão Seco, molhado, acabado de limpar, com pó, com muito brilho, com objetos espalhados
Atividade A levantar-se, de pé, a começar, a parar, a virar-se, a correr, a saltar, a subir ou descer escadas
Patas ou zona do corpo Dianteiras, traseiras, um dos lados, um membro ou equilíbrio de todo o corpo
Frequência Um deslize, vários no mesmo dia, em todas as travessias ou com frequência crescente
Recuperação Continuou normalmente, sentou-se, caiu, chorou ou evitou o percurso
Outros sinais Mancar, rigidez, arrastar alguma pata, lamber-se, ofegar, alterações no apetite ou no comportamento
Alteração testada em casa Foi colocado um tapete comprido, mudou-se a taça, secaram-se as patas ou encurtou-se o percurso
Resposta Melhor, sem alterações, pior ou difícil de avaliar

Evite transformar o registo numa pontuação. Um número total não lhe pode dizer se a causa é ortopédica, neurológica, dolorosa, comportamental, ambiental ou uma combinação de vários fatores.

Como gravar um vídeo útil

  • Mantenha o vídeo curto e utilize a velocidade normal.
  • Filme de lado e, quando for seguro, por trás.
  • Inclua as patas e uma parte suficiente do corpo para mostrar a postura.
  • Registe os movimentos habituais, sem incentivar um teste rápido ou arriscado.
  • Anote o tipo de piso e se o percurso tem alguma superfície antiderrapante.
  • Se possível, registe a mesma tarefa simples numa superfície com boa aderência, para servir de comparação.
  • Pare imediatamente se o cão parecer ter dores, estiver instável ou mostrar sinais de aflição.

Não provoque repetidamente uma queda nem retire o percurso mais seguro para obter um vídeo mais dramático. Um vídeo com um aspeto normal também não exclui a existência de um problema. O ângulo da câmara, a excitação, a velocidade e a superfície podem alterar o que aparece no ecrã.

Leve ou envie o registo e os vídeos de acordo com as instruções da sua clínica veterinária. Inclua quedas recentes, alterações na medicação, lesões anteriores, cirurgias, problemas de saúde conhecidos e alterações no apetite, nas necessidades fisiológicas, no sono ou na atividade.

Siga o plano de segurança em casa para o primeiro dia

O objetivo do primeiro dia não é identificar a doença nem comprar todos os produtos de aderência disponíveis. É reduzir o risco imediato, verificar fatores reversíveis, registar o padrão e tomar a decisão certa sobre os cuidados veterinários.

Hoje

  1. Impeça o acesso à zona lisa mais perigosa.
  2. Crie um percurso contínuo e seguro entre o local de descanso, a água, a comida, a porta e a principal zona da casa onde a família permanece.
  3. Cubra os cantos, as soleiras, os pontos de impulso e as zonas de aterragem.
  4. Verifique se todos os tapetes e passadeiras deslizam, formam pregas ou têm as extremidades enroladas.
  5. Seque o chão e as patas do seu cão.
  6. Observe visualmente as almofadas das patas, as unhas, os dedos e o pelo das patas, sem fazer movimentos que provoquem dor.
  7. Registe se o problema ocorre apenas num determinado tipo de superfície ou também noutros locais.
  8. Contacte prontamente um veterinário se os sinais forem súbitos, dolorosos, persistentes ou estiverem a piorar.
  9. Procure cuidados veterinários de urgência em caso de colapso, perda significativa de equilíbrio, incapacidade de andar, claudicação sem apoiar o membro, dor intensa, fraqueza acentuada ou lesões provocadas por uma queda.

Durante o dia ou dois dias seguintes

No caso de um episódio ligeiro e sem caráter urgente, observe se a alteração do percurso produz uma diferença consistente. Mantenha um registo, em vez de confiar apenas na memória. Se o cão continuar a escorregar durante mais de um ou dois dias, se isso acontecer repetidamente, se o problema se estender a outras superfícies ou surgir acompanhado de claudicação ou alterações funcionais, marque uma avaliação veterinária.

A melhoria é uma informação útil, mas não significa que o problema médico esteja resolvido. Uma melhor aderência pode reduzir o esforço exigido a um cão que continua a ter dores, fraqueza ou outro problema de mobilidade.

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