Porque é que os cães levam objetos? Causas e soluções seguras

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Cão a segurar uma meia, enquanto o dono lhe oferece um brinquedo numa troca tranquila
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Um cão que leva uma meia, um sapato, um lenço de papel ou um petisco não está necessariamente a portar-se “mal”. Apanhar objetos pode fazer parte da exploração normal, da busca, da procura de comida ou da brincadeira. Também pode transformar-se num jogo aprendido de fugir com o objeto se agarrá-lo fizer com que as pessoas corram atrás dele, gritem ou tentem negociar.

O mais importante é observar o que o seu cão faz a seguir. Transportar um objeto é diferente de guardá-lo, desfazê-lo a roer ou engoli-lo. Essas diferenças determinam se pode gerir a situação com calma, se precisa de ajuda para definir um plano comportamental ou se deve contactar imediatamente um veterinário.

Retriever dourado a transportar um sapato numa sala de estar

Porque é que os cães pegam em objetos domésticos

Raramente existe uma única explicação que se aplique a todos os cães. Observe o objeto, o contexto e o que acontece imediatamente antes e depois de o seu cão o apanhar.

  • Exploração e transporte: Os cães exploram o mundo com a boca. Procurar, transportar e deslocar objetos pode ser um comportamento normal, sobretudo nos cães jovens.
  • Procura de comida: Comida em cima da bancada, um caixote do lixo aberto ou uma embalagem usada de comida são recompensas por si só. Uma descoberta bem-sucedida pode fazer com que o cão volte a verificar esse local.
  • Um jogo aprendido de perseguição: Se pegar numa meia fizer com que toda a gente corra atrás do cão, a atenção e o movimento podem reforçar esse padrão. Até a atenção zangada pode manter o comportamento.
  • Cheiro ou textura interessantes: A roupa para lavar, os sapatos, os lenços de papel e os brinquedos das crianças podem ter um cheiro familiar ou ser agradáveis de transportar e roer. Pegar num objeto com o cheiro de uma pessoa, por si só, não prova que exista ansiedade de separação.
  • Necessidade de uma atividade adequada: Um cão que tenha poucas oportunidades para farejar, roer, brincar, procurar comida, descansar ou interagir pode criar a sua própria atividade. O enriquecimento pode ajudar, mas não é uma solução garantida e deve ser adequado a cada cão.

Se o seu cão está a destruir objetos em vez de simplesmente os transportar, o nosso guia sobre porque é que os cães roem objetos domésticos aborda esse comportamento relacionado.

Pegar em objetos, guardar recursos e a pica não são a mesma coisa

Um cão que apanha um objeto e o troca prontamente está a demonstrar um padrão diferente do de um cão que fica imóvel, enrijece, se debruça sobre o objeto, se vira de costas, fixa o olhar, rosna, tenta morder ou morde quando alguém se aproxima. Estes sinais de aviso podem indicar guarda de recursos. Não castigue o aviso nem teste até que ponto se pode aproximar.

A pica consiste em comer de forma persistente objetos que não são alimentos, como tecido, plástico, papel, pedras ou pedaços de madeira e casca. Pode ter causas comportamentais ou médicas. Um cão que engole objetos repetidamente, começa subitamente a comer coisas que não são alimentos ou apresenta alterações no apetite, no peso, nas fezes ou nos níveis de energia precisa de uma avaliação veterinária, e não apenas de um plano de treino.

O que fazer quando o seu cão tem algo na boca

  1. Pare e avalie o risco. Mantenha as crianças e os outros animais afastados. Identifique o objeto, se possível, e observe se o cão parece descontraído e relaxado ou tenso e protetor.
  2. Não corra atrás dele, não o encurrale, não o repreenda nem tente abrir-lhe a boca à força. Correr atrás do cão pode transformar a situação num jogo. A força ou o castigo podem aumentar o medo, o risco de engolir o objeto e o risco de mordida.
  3. Se for um objeto inofensivo e o cão estiver descontraído, reduza a excitação. Mova-se com calma, evite cercá-lo e dê-lhe um momento para perder o interesse. Depois, pode redirecioná-lo para uma atividade adequada.
  4. Se precisar de recuperar o objeto, faça uma troca segura. Ofereça algo que o cão valorize mais, como o seu brinquedo preferido ou uma pequena recompensa alimentar. Deixe-o afastar-se do objeto antes de o recolher. Não tente tirar-lho se o cão enrijecer, rosnar ou o guardar.
  5. Se for um objeto perigoso, dê prioridade à segurança, não ao treino. Medicamentos, pilhas, produtos com nicotina, objetos afiados, fios, alimentos tóxicos, produtos químicos e objetos suficientemente pequenos para serem engolidos exigem aconselhamento profissional rápido.
Dono a trocar calmamente um brinquedo por uma meia que o cão tem na boca

Se o seu cão pode ter engolido um objeto ou uma substância tóxica, contacte imediatamente o veterinário, uma clínica veterinária de urgência ou um serviço de informação antivenenos para animais. Não provoque o vómito nem administre remédios caseiros, a menos que um profissional veterinário lho indique especificamente. Vómitos repetidos, perda de apetite, dor ou inchaço abdominal, letargia, dificuldade em defecar, colapso ou dificuldade em respirar exigem cuidados urgentes.

Evite que volte a acontecer

A gestão do ambiente não é um atalho. Evita que o cão pratique comportamentos perigosos enquanto aprende hábitos mais seguros.

  • Utilize um cesto para roupa suja com tampa e guarde os sapatos, os brinquedos das crianças, os comandos, as pilhas, os medicamentos e os alimentos atrás de portas fechadas ou em armários altos.
  • Utilize caixotes do lixo seguros, mantenha as bancadas livres e limite o acesso às divisões onde não seja possível arrumar os objetos tentadores.
  • Supervisione o cão perto de objetos que já tenha engolido ou guardado. Um cesto de brinquedos não oferece proteção suficiente contra medicamentos, pilhas, fios ou embalagens de comida.
  • Proporcione oportunidades adequadas para roer, farejar e procurar comida, bem como exercício, interação social e descanso. Escolha brinquedos adequados ao tamanho e à forma como o seu cão rói e supervisione tudo o que possa ser rasgado ou engolido.
  • Definam regras para toda a família. As crianças nunca devem perseguir um cão, tirar-lhe um objeto ou aproximar-se dele quando está a guardar alguma coisa.

Ensine-o a largar e a deixar objetos usando recompensas

Pratique quando ninguém estiver com pressa e o objeto for seguro. Não comece pela meia que o seu cão guarda com mais intensidade.

  1. Dê ao seu cão um brinquedo de pouco valor que ele se sinta confortável a segurar.
  2. Aproxime do focinho uma recompensa melhor. Quando ele largar o brinquedo, assinale o momento com um “sim” calmo, dê-lhe a recompensa e apanhe o brinquedo.
  3. Depois de algumas trocas, devolva-lhe o brinquedo seguro. Isto ajuda o cão a aprender que largar um objeto nem sempre significa perdê-lo para sempre.
  4. Quando já largar o objeto de forma previsível, diga “larga” imediatamente antes de oferecer a recompensa. Mantenha o comando neutro e diga-o apenas uma vez.
  5. Pratique “deixa” separadamente, para que o seu cão possa receber uma recompensa por se afastar antes de apanhar alguma coisa.

Treine estas competências em sessões planeadas e impeça o acesso a objetos tentadores entre as sessões. Se as recompensas só aparecerem depois de o cão roubar alguma coisa, alguns cães podem aprender a apanhar objetos para iniciar uma troca. A prática preventiva torna mais fácil escolher a opção segura.

Dono a elogiar um cão por escolher um brinquedo adequado

O treino baseado em recompensas não significa permitir comportamentos perigosos. Combina limites claros, prevenção e reforço, sem medo, intimidação, dor ou métodos baseados na dominância.

Quando contactar um veterinário ou um profissional de comportamento

Contacte o seu veterinário se o comportamento começar de repente, se o seu cão comer repetidamente objetos que não são alimentos, se faltar algum objeto ou se notar vómitos, alterações do apetite, desconforto abdominal, alterações nas fezes, fraqueza, perda de peso ou outros sinais de doença. As causas médicas e as complicações provocadas por corpos estranhos não podem ser diagnosticadas apenas com base neste comportamento.

Procure ajuda de um profissional qualificado em comportamento se o seu cão ficar imóvel, rosnar, tentar morder, morder, engolir objetos quando alguém se aproxima ou proteger objetos de crianças, visitas ou outros animais. Comece por falar com o seu veterinário. Dependendo do risco, poderá encaminhá-lo para um veterinário especialista em comportamento animal ou para outro profissional qualificado, que utilize métodos baseados em recompensas e tenha experiência com guarda de recursos e agressividade. Não tente fazer uma troca por sua conta com um cão que possa morder.

Perguntas frequentes

Porque é que o meu cão rouba meias e sapatos?

São fáceis de transportar, têm texturas interessantes e, muitas vezes, cheiram intensamente às pessoas. O acesso a esses objetos e a reação que se segue também podem reforçar o hábito. A escolha do objeto, por si só, não prova que exista ansiedade, vingança ou um problema de dominância.

Devo ignorar o meu cão quando ele rouba alguma coisa?

Apenas quando o objeto for inofensivo, o cão estiver descontraído e for seguro esperar. Um objeto engolido, tóxico, afiado ou que esteja a ser guardado exige uma resposta diferente. Mantenha todos afastados, faça uma troca segura se o cão estiver à vontade e contacte um veterinário quando for possível que tenha ingerido o objeto.

Quanto tempo demora o treino?

Não existe um prazo universal fiável. A evolução depende da frequência com que o comportamento é repetido, do que o reforça, do historial de aprendizagem do cão e da eventual presença de guarda de recursos, pica ou um problema médico. Uma prevenção consistente e sessões curtas baseadas em recompensas são mais importantes do que prometer um determinado número de semanas.

Os cães retriever têm maior tendência para roubar objetos?

Alguns cães podem ter uma predisposição especial para transportar objetos, mas a raça não explica por que motivo um cão específico o faz nem se o comportamento é perigoso. Avalie o padrão tendo em conta o que o cão apanha, se o mastiga ou engole e como reage quando alguém se aproxima.

Fontes e leituras complementares

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