Jarrete inchado no cão sem dor aparente: o que deve observar
Table of contents
Um cão pode continuar a andar normalmente enquanto um dos jarretes parece inchado. É uma informação útil, mas não é um diagnóstico. O inchaço pode envolver a pele, os tecidos moles, a articulação, um tendão, o osso ou mais do que uma parte da perna. Para perceber onde começa o problema, o veterinário precisa de conhecer o historial e fazer um exame.
Resposta curta: mantenha o seu cão calmo e com pouca atividade, observe se há alterações sem apertar nem forçar a articulação, registe o que vê e contacte o veterinário se o inchaço estiver a aumentar, quente, a reaparecer, associado a um traumatismo ou acompanhado por alterações na marcha, na pele, no apetite, na energia ou no comportamento. Procure cuidados veterinários de urgência se houver dificuldade em respirar, colapso, dor intensa, traumatismo grave, hemorragia incontrolável ou incapacidade de se manter de pé ou de usar a perna.
Este guia ajuda-o a preparar-se para tomar essa decisão. Não permite determinar se o inchaço se deve a uma lesão, infeção, pressão, doença articular ou outra condição, e não substitui um exame veterinário.
Primeiro, confirme a que chama jarrete
O jarrete, ou tarso, é a articulação angular da perna traseira do cão, acima da pata. Não é o joelho nem o pé. Uma zona com um aspeto mais volumoso pode estar no jarrete, atrás da articulação, acima ou abaixo dela, ou à volta da pata. Esta distinção é importante porque essas zonas contêm tecidos diferentes.
Observe primeiro toda a perna traseira antes de se concentrar numa saliência. Compare o lado direito com o esquerdo, visto de trás e de lado. Repare se a alteração está centrada na articulação, se acompanha a parte posterior da perna inferior ou se se estende para baixo, em direção aos dedos. Evite tentar identificar a condição apenas pelo seu formato. O Merck Veterinary Manual explica que o inchaço dos membros e a disfunção articular são sinais que o veterinário localiza através do historial, da observação da marcha e do exame.
Porque pode surgir inchaço sem dor evidente?
Alguns cães continuam a apoiar a perna ou mostram interesse pela comida mesmo quando algo não está bem. Outros manifestam desconforto através de uma passada mais curta, viragens mais lentas, relutância em saltar, lambidelas, uma alteração da postura ou menor interesse pelas atividades habituais. O facto de não ganir não significa que o jarrete esteja saudável.
Em casa, várias possibilidades podem ter um aspeto semelhante. Uma pancada recente ou o esforço excessivo podem irritar os tecidos moles. Uma pequena ferida, mordedura, picada ou problema de pele pode estar escondido sob o pelo. Problemas articulares ou dos tendões podem alterar o formato ou a temperatura da zona. A pressão repetida sobre uma saliência óssea pode provocar um inchaço cheio de líquido. A VCA descreve o higroma como um tipo de inchaço geralmente indolor que pode surgir junto ao jarrete, mas não é possível identificar um higroma de forma fiável através de uma fotografia ou do toque. Crescimento, calor, dor ou sinais de infeção alteram o quadro e exigem a avaliação de um veterinário.
Andar normalmente pode ser menos preocupante do que no caso de um cão que não consegue usar a perna, mas não permite descartar o inchaço. Encare a alteração como um motivo para observar com atenção e decidir quando telefonar, não como prova de que o tratamento em casa é adequado.
O que pode verificar sem magoar o seu cão?
Escolha um momento tranquilo e deixe o seu cão ficar de pé naturalmente, numa superfície que não seja escorregadia. Não reposicione as patas repetidamente. Comece por comparar visualmente as duas pernas traseiras e pare se o seu cão resistir.
- Localização: jarrete, atrás da articulação, perna inferior ou pata.
- Formato: volume difuso, saliência bem definida ou inchaço que se estende ao longo da perna.
- Calor: compare a zona afetada com a zona correspondente da outra perna, tocando-lhe suavemente.
- Pele: vermelhidão, perfuração, crosta, humidade, secreção, nódoas negras, perda de pelo ou alteração da cor.
- Movimento: passada mais curta, pata virada, rigidez depois do repouso, relutância em levantar-se ou alteração ao subir e descer escadas.
- Comportamento: lamber a zona, protegê-la, inquietação, isolamento, irritabilidade ou menor interesse pela comida e pelas brincadeiras.
Não aperte um inchaço, não faça pressão profunda, não dobre repetidamente o jarrete, não teste a amplitude de movimento, não massaje a zona nem tente drenar o que quer que seja. Essas ações podem aumentar o desconforto e dificultar a avaliação de uma lesão ou ferida. Se o seu cão se afastar, tremer, ofegar inesperadamente, rosnar ou tentar proteger a perna, pare a verificação.
Se o inchaço surgir acompanhado por uma alteração nova ou subtil na marcha, o nosso guia sobre claudicação e saúde articular dos cães pode ajudá-lo a descrever essa alteração antes de telefonar para a clínica.
Registe as alterações para ajudar o veterinário
Um registo breve é útil quando o inchaço não está a mudar rapidamente e o seu cão se mantém estável. Deve ajudar a melhorar as informações que fornece à clínica, não atrasar o contacto. Tire uma fotografia à mesma distância e do mesmo ângulo quando notar uma alteração significativa. Um vídeo curto do seu cão a caminhar para longe e a voltar, numa superfície antiderrapante, pode revelar uma alteração na passada que é fácil não detetar no momento.
Anote:
- quando reparou pela primeira vez na alteração e se está a aumentar, diminuir ou reaparecer;
- qual é a perna e que parte da perna parecem diferentes;
- calor, cor da pele, feridas, humidade, secreção ou perda de pelo;
- alterações ao andar, estar de pé, levantar-se, subir escadas, saltar, lamber a zona ou noutros comportamentos;
- correr, escorregar, saltar, fazer caminhadas, ir a creches para cães, brincar de forma bruta, uma mordedura ou outro acontecimento anterior ao aparecimento da alteração;
- medicamentos e suplementos atuais, problemas de saúde conhecidos, apetite, energia e outros sinais de doença.
Não estabeleça uma contagem decrescente fixa nem um período de observação em casa garantido. O veterinário pode recomendar um prazo adequado à idade, historial, resultados do exame e nível de risco do seu cão. Contacte-o mais cedo se o quadro se alterar.
O que pode fazer enquanto procura orientação veterinária?
Reduza o impacto sem estabelecer um tratamento
Até falar com o veterinário, evite que o seu cão corra, salte, brinque a apanhar objetos, brinque de forma bruta ou suba escadas sem necessidade. Mantenha as saídas ao exterior breves e controladas, apenas para fazer as necessidades, e use trela se isso ajudar a evitar movimentos bruscos. Não force uma imobilidade completa se o seu cão ficar angustiado. O nível adequado de atividade depende da causa, e esta página não pode definir uma duração de repouso universal.
Ofereça-lhe um local confortável e almofadado para se deitar, sobre uma superfície que não escorregue. O acolchoamento pode reduzir a pressão repetida sobre uma saliência óssea, mas não prova que o inchaço esteja relacionado com a pressão, nem exclui uma infeção, lesão ou outra condição. Deixe a comida, a água e o caminho para o exterior ao alcance do seu cão, sem que tenha de dar um salto brusco.
Evite tratamentos caseiros improvisados
- Não aplique calor ou frio de forma programada sem aconselhamento veterinário. A causa, o estado da pele, a circulação e a tolerância do seu cão são fatores importantes.
- Não aperte a parte inferior da pata com uma ligadura, nem use uma ligadura de compressão que não tenha sido ajustada e explicada por um profissional veterinário. O inchaço pode continuar a aumentar por baixo da ligadura, e a pressão pode lesionar a pele ou comprometer a circulação.
- Não massaje, perfure, abra nem drene o inchaço em casa.
- Não aplique cremes, óleos essenciais, medicamentos de uso tópico para humanos ou medicamentos receitados que tenham sobrado, a menos que o veterinário lho indique.
- Não dê ibuprofeno, naproxeno, aspirina, paracetamol ou outro analgésico para uso humano que tenha no armário dos medicamentos. A FDA explica por que razão os analgésicos para uso humano podem atingir concentrações diferentes e provocar efeitos tóxicos nos cães.
Se o seu cão já tiver tomado um medicamento por engano, contacte rapidamente o veterinário ou um serviço local de toxicologia veterinária e indique o produto, a dosagem, a quantidade e a hora. Não espere pelo aparecimento de sintomas para perguntar o que deve fazer.
Quando deve contactar um veterinário?
Contacte rapidamente o veterinário quando o inchaço for recente e inexplicável, voltar a aparecer, aumentar, ficar mais quente ou duro, ou provocar alterações na pele. Contacte-o também se o seu cão começar a lamber ou proteger a zona, andar de forma diferente, parecer rígido ao levantar-se, evitar escadas ou saltos, comer menos, tiver menos energia ou se comportar de forma diferente do habitual. Um traumatismo conhecido, uma mordedura, uma perfuração ou uma aterragem brusca também justificam falar com um veterinário, mesmo que o seu cão continue a apoiar a pata.
Um exame veterinário pode incluir a recolha do historial, a observação em repouso e em movimento, a palpação da pata e a avaliação da pele, das articulações, dos tendões, da circulação e da função neurológica. Dependendo do que o profissional encontrar, poderá recomendar exames de imagem ou a recolha de uma amostra. O Merck Veterinary Manual descreve como uma equipa veterinária avalia os membros e os traumatismos; a página não apresenta uma forma de os tutores reproduzirem esse exame em casa.
Que sinais exigem cuidados veterinários urgentes ou de emergência?
Procure cuidados veterinários urgentes se o estado piorar rapidamente, houver calor intenso, uma ferida aberta ou com corrimento, uma pata fria ou descolorada, sensibilidade intensa ou se o cão não conseguir apoiar a pata. Um traumatismo grave conhecido também requer uma avaliação rápida. Dirija-se a um hospital veterinário de emergência se houver dificuldade em respirar, colapso, hemorragia incontrolável, dor intensa, incapacidade de se manter de pé ou de mexer a pata, gengivas pálidas ou azuladas, perda de consciência ou fraqueza extrema.
Depois de uma queda ou de um impacto, um cão pode parecer normal durante algum tempo e, ainda assim, ter uma lesão que só se torna mais evidente posteriormente. As orientações da VCA sobre primeiros socorros para quedas em cães indicam a relutância em levantar-se ou andar, dor, rigidez, claudicação, dificuldade em respirar, letargia e diminuição do apetite como sinais que requerem atenção veterinária. Mantenha um cão traumatizado quieto, limite os seus movimentos e contacte o hospital veterinário para receber orientações sobre o transporte.
O guia de emergência da AAHA também considera a dificuldade em respirar, uma lesão visível, a falta de resposta, uma fraqueza súbita e grave e uma hemorragia intensa motivos para agir rapidamente. Se não tiver a certeza de que uma alteração é urgente, telefone em vez de tentar classificá-la através de uma fotografia.
Onde se enquadra uma ortótese para o jarrete?
Uma ortótese é um dispositivo de suporte externo, não um exame de diagnóstico. Pode cobrir alterações na pele, modificar a forma como o cão apoia a pata ou dificultar a observação de um inchaço que esteja a aumentar. Não a utilize para ocultar um inchaço inexplicável, uma ferida, uma suspeita de fratura, uma infeção ou um problema num tendão.
Fale sobre a utilização de uma ortótese depois de a situação ter sido avaliada e de o veterinário ter explicado a sua finalidade. Se for recomendado suporte, o ajuste deve corresponder à anatomia do cão e à atividade prevista. Em cada utilização supervisionada, verifique a pele, a cor e a temperatura da pata, o conforto, a marcha e a posição do dispositivo. Pare e contacte o veterinário se o inchaço aumentar, a pele ficar vermelha ou húmida, a pata ficar fria ou descolorada, o cão roer a ortótese ou a marcha se alterar.
Não existe um calendário de utilização universal, nem uma definição de "mínimo eficaz", que possa ser prescrita com segurança para todos os cães. Para saber mais sobre o público-alvo e o suporte, consulte quando o suporte supervisionado para a pata traseira pode ser útil. Para questões relacionadas com lesões agudas, o nosso guia de triagem de lesões no jarrete do cão é a leitura recomendada. Ambos são recursos educativos complementares, não substitutos de um plano veterinário.
Prepare a consulta veterinária
Leve a sequência de fotografias e um vídeo curto do seu cão a andar, se conseguir fazê-los sem o deixar stressado. Diga à clínica quando reparou pela primeira vez no inchaço, se este se alterou, que atividade ou acontecimento o precedeu e se o seu cão tomou algum medicamento. Mencione alterações no apetite, na energia, no sono, nos hábitos de lamber, na postura, nas necessidades fisiológicas e na vontade de andar.
Não espere até conseguir reunir um registo perfeito para telefonar. Uma descrição simples do que mudou e de quando aconteceu é mais útil do que mexer repetidamente na pata e deixá-la dorida.
Perguntas frequentes
Um cão pode ter uma lesão no jarrete sem coxear?
Sim, o facto de apoiar normalmente o peso não permite identificar a causa nem excluir um problema. Os cães podem compensar ou apresentar alterações subtis na passada, na postura, no acto de lamber, no apetite ou no comportamento antes de surgir uma claudicação evidente. Observe sem forçar a articulação e fale com o seu veterinário se o inchaço não tiver uma causa clara ou estiver a mudar.
Durante quanto tempo posso vigiar em casa um jarrete inchado?
Não existe um prazo universal seguro. Uma alteração aparentemente ligeira e estável pode ser registada enquanto procura aconselhamento, mas um inchaço que aumente, esteja quente, reapareça, resulte de um traumatismo, provoque lesões na pele ou altere a mobilidade não deve esperar por um prazo definido. O seu veterinário pode estabelecer um plano de acompanhamento adequado ao caso.
Devo passear o meu cão se o jarrete estiver inchado, mas ele não coxear?
Até obter orientação veterinária, mantenha a actividade controlada e evite correr, saltar, subir escadas, brincar à busca e brincadeiras mais bruscas. Faça apenas passeios curtos à trela para as necessidades e pare se o seu cão mostrar desconforto ou alterações nos movimentos. O plano de exercício adequado depende da causa.
Posso dar ibuprofeno ao meu cão por ter o jarrete inchado?
Não. Não dê ibuprofeno, naproxeno, aspirina, paracetamol ou outro analgésico de uso humano, a menos que um veterinário lho indique especificamente. A dose e o risco dependem do cão, do produto, de outros medicamentos e do estado de saúde. Contacte imediatamente um veterinário se o seu cão já tiver ingerido algum destes medicamentos.
Devo colocar uma ligadura de compressão sobre o inchaço?
Não aplique uma ligadura apertada ou improvisada. Uma ligadura pode deslizar, reter humidade, comprimir a pele ou a circulação e ocultar uma alteração que o seu veterinário precisa de observar. Utilize um suporte apenas quando um profissional veterinário lhe tiver explicado qual o dispositivo adequado, como o ajustar, para que serve e que verificações deve fazer.
Posso utilizar uma ortótese para o jarrete antes da consulta?
Não utilize uma ortótese para tratar um inchaço sem causa conhecida antes de esclarecer a causa e a finalidade do dispositivo. A ortótese pode ocultar uma ferida ou alterar a passada. Pergunte ao seu veterinário se deve incluir um suporte no plano e como vigiar a pele, a pata e os movimentos.
E se o inchaço for mole, duro ou não causar dor?
A textura e a sensibilidade são observações, não um diagnóstico. Um inchaço mole, firme, quente ou indolor pode ter mais do que uma explicação. Registe o que observa sem apertar o inchaço e contacte o seu veterinário se este persistir, aumentar, reaparecer ou surgir acompanhado de alterações na pele ou no comportamento.
O que irá verificar o veterinário?
O veterinário poderá analisar quando o inchaço surgiu e que actividade o antecedeu, observar o seu cão de pé e a andar, examinar a pele e o membro e avaliar as articulações, os tendões, a circulação e a função neurológica. Poderá recomendar exames de imagem ou outros testes quando o exame clínico não permitir identificar a causa. Só essa avaliação pode orientar o tratamento ou a utilização de um suporte.
Fontes deste guia
Os limites médicos deste artigo baseiam-se nas orientações do Merck Veterinary Manual sobre claudicação, nas orientações da VCA sobre higromas em cães e quedas em cães, e nas orientações da AAHA sobre sinais de dor. Para obter informações sobre os riscos dos medicamentos, consulte a informação da FDA sobre analgésicos para animais de companhia. Para conhecer os sinais de emergência, consulte o guia da AAHA para emergências e a visão geral da Merck sobre a avaliação de emergências.
Este artigo apresenta informação geral para quem cuida de cães. Não permite diagnosticar um jarrete inchado, prescrever medicamentos ou um período fixo de repouso, aprovar a utilização de uma ortótese, nem substitui um exame realizado por um veterinário qualificado.