Os cães podem comer Nutella? Riscos do chocolate e do xilitol

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Criámos uma checklist de triagem do risco de Nutella por peso do cão
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Os cães podem comer Nutella? Não. A Nutella e outros cremes de chocolate e avelã não são alimentos para partilhar com cães. Se o seu cão comeu algum, contacte já o veterinário ou um serviço de toxicologia animal para obter aconselhamento adequado ao produto exato, à quantidade ingerida, ao peso do cão e aos sintomas. Não espere que surjam sinais para pedir ajuda.

A questão não se resume a uma simples «quantidade segura». O cacau pode fornecer teobromina e cafeína, e a quantidade de cada composto varia entre produtos. Além disso, o creme contém gordura e açúcar. Uma versão sem açúcar ou com baixo teor de açúcar pode acrescentar um risco específico associado ao xilitol. A resposta inicial mais segura é impedir o acesso ao produto, guardar o frasco e o rótulo, anotar tudo o que sabe e contactar um profissional.

Se a ingestão acabou de acontecer, o nosso guia sobre o que fazer quando um cão come Nutella pode ajudá-lo a organizar as informações enquanto contacta o veterinário ou o serviço de toxicologia. Não substitui esse contacto.

Dirija-se imediatamente a um hospital veterinário de urgência se o cão tiver convulsões, colapsar, apresentar tremores intensos, dificuldade em respirar, incapacidade de se manter de pé, gengivas pálidas ou azuladas, vómitos repetidos, fraqueza intensa ou dor abdominal forte. Telefone para o hospital enquanto organiza o transporte.

Porque é que a Nutella pode fazer mal aos cães

A Nutella foi criada para consumo humano, não para a alimentação dos cães. Quando um cão consegue abrir um frasco ou come um alimento preparado com este creme, podem surgir vários riscos em simultâneo.

O cacau contém teobromina e cafeína

O cacau contém metilxantinas, sobretudo teobromina e cafeína. Os cães processam estes compostos de forma diferente das pessoas. Dependendo da exposição, podem estimular o sistema nervoso e o coração. Os possíveis sinais incluem vómitos, diarreia, sede, micção frequente, inquietação, respiração ofegante, batimento cardíaco acelerado ou irregular, tremores, falta de coordenação e convulsões.

A quantidade de metilxantinas não é igual em todos os produtos de chocolate. O cacau em pó e o chocolate preto são geralmente mais concentrados do que o chocolate de leite ou branco, mas um creme de chocolate e avelã não pode ser avaliado apenas pela cor ou pelo nome da marca. O creme pode ser comido simples, barrado no pão, num biscoito ou juntamente com outro produto de chocolate. Informe o profissional sobre tudo o que o cão possa ter ingerido.

A gordura e o açúcar criam um segundo tipo de risco

Mesmo quando o veterinário determina que a exposição às metilxantinas não é a principal preocupação, a gordura e o açúcar podem ainda causar perturbações digestivas. A ingestão de gordura pode desencadear pancreatite em alguns cães. Os possíveis sinais de pancreatite incluem vómitos repetidos, náuseas, dor abdominal, diarreia, diminuição do apetite, letargia ou uma postura rígida e protegida. Estes sinais podem ter outras causas, pelo que não é possível fazer um diagnóstico com base nesta página.

É por isso que «o teor de cacau é baixo» não significa o mesmo que «o creme é seguro». Os efeitos estimulantes do chocolate e os problemas associados à gordura são questões diferentes, e o profissional precisa de conhecer todos os pormenores da ingestão para os avaliar.

Cão a cheirar uma pequena porção de creme de chocolate num chão de madeira

Leia o rótulo exato, sobretudo no caso de cremes sem açúcar

O frasco que tem consigo é mais importante do que uma resposta genérica sobre a Nutella. A página atual de um produto Ferrero, correspondente a uma fórmula regional de Nutella, indica açúcar, óleo vegetal, avelãs, leite magro em pó, cacau em pó magro, emulsionantes e aroma. Nessa página, não é indicado xilitol. Os produtos regionais, as receitas alternativas, outras marcas e os alimentos preparados com o creme podem ter ingredientes diferentes. Por isso, consulte a embalagem exata envolvida na ingestão.

Procure xilitol, que também pode ser designado por açúcar de bétula, em cremes sem açúcar, sem adição de açúcar, com baixo teor de hidratos de carbono ou de estilo cetogénico, bem como noutros alimentos ingeridos ao mesmo tempo. Não assuma que todos os produtos sem açúcar contêm xilitol, nem que um nome de marca familiar exclui a sua presença. Se o xilitol estiver indicado ou se o rótulo não for claro, contacte imediatamente um veterinário ou um serviço de toxicologia animal, mesmo que o cão pareça normal. O xilitol pode provocar uma descida perigosa do nível de açúcar no sangue e lesionar o fígado.

Verifique também se o cão roeu a tampa, o frasco, o selo de alumínio, a embalagem ou outro recipiente. A falta de parte da embalagem pode criar um risco de obstrução, separado do risco associado ao alimento. Guarde todos os pedaços que encontrar e diga à equipa veterinária o que está em falta.

Registe brevemente o que foi ingerido

  • Nome, sabor e variante do produto, incluindo se é sem açúcar ou um produto cozinhado ou de pastelaria.
  • Uma fotografia nítida da frente, do verso e da lista completa de ingredientes. Guarde o frasco ou a embalagem original.
  • A sua melhor estimativa da quantidade em falta e se estiveram envolvidos outros chocolates, café, guloseimas ou alimentos de pastelaria. Um intervalo honesto é mais útil do que uma falsa precisão.
  • Quando poderá ter ocorrido a ingestão, incluindo a hora mais cedo e a mais tarde possíveis, caso não tenha presenciado o momento.
  • O peso atual do seu cão ou o peso mais recente e fiável, a idade, a raça ou o porte, os problemas de saúde e os medicamentos que toma.
  • Quaisquer sinais que tenha observado e se o cão poderá ter engolido parte da embalagem.

Não adie o contacto enquanto tenta obter uma medição perfeita. Diga ao profissional o que sabe, o que é incerto e o que ainda está a verificar.

Pessoa a observar delicadamente um cão em casa após uma possível ingestão de alimentos

Como o peso corporal e a quantidade ingerida alteram o risco

A mesma colherada não representa a mesma exposição para todos os cães. Num cão mais pequeno, essa quantidade corresponde a uma proporção maior do peso corporal, mas um cão maior não está automaticamente protegido. Os cachorros, os cães idosos, os cães com problemas cardíacos, hepáticos, gastrointestinais ou de saúde de outro tipo, bem como os cães que tomam medicamentos, podem precisar de uma avaliação mais cautelosa.

A preocupação também aumenta quando a quantidade é grande ou desconhecida, quando o alimento foi ingerido repetidamente, quando foi combinado com chocolate preto ou cacau em pó, ou quando existe suspeita de xilitol. Os sintomas atuais também são importantes. A fórmula exata pode alterar o cálculo, e o rótulo pode não indicar quanto o cão ingeriu realmente.

Não existe um limite universal aplicável em casa que possa garantir que um cão está seguro. As tabelas e calculadoras online sobre toxicidade do chocolate podem ser referências úteis, mas não conseguem confirmar qual é o produto do seu frasco, ter em conta todos os ingredientes, examinar o seu cão ou determinar se a gordura, a embalagem ou um problema de saúde preexistente alteram a resposta. Deixe que um veterinário ou profissional de toxicologia avalie a exposição.

O que fazer depois de um cão comer Nutella

  1. Impeça o acesso a mais produto. Afaste o frasco, os alimentos e a embalagem. Mantenha o seu cão calmo e impeça que outro animal coma o que se derramou. Não deixe o cão correr nem fazer exercício.
  2. Guarde as provas. Guarde o frasco, o rótulo, o recibo ou a embalagem e fotografe a lista de ingredientes. Tente estimar, da melhor forma possível, a quantidade ingerida e a hora.
  3. Ligue já. Contacte o seu veterinário, o hospital veterinário de urgência mais próximo ou um serviço de toxicologia animal. As orientações da Cornell sobre toxicidade do chocolate remetem para linhas de apoio a intoxicações na América do Norte, e o serviço que contactar poderá indicar-lhe de que informações e cuidados precisa na sua região.
  4. Descreva toda a exposição. Indique o peso do cão, o produto e a variante, a quantidade, o intervalo de tempo, os sintomas, o historial clínico, a medicação e qualquer embalagem em falta. Se houver possibilidade de conter xilitol ou açúcar de bétula, diga-o logo no início.
  5. Siga as instruções do profissional relativamente à deslocação. Se o cão apresentar sinais graves ou se o profissional lhe indicar que deve deslocar-se ao hospital, parta sem demora com a embalagem e uma cópia do rótulo.

Não provoque o vómito nem dê água oxigenada, sal, óleo, leite, comida, carvão ativado ou medicamentos para uso humano em casa, a menos que um veterinário ou um profissional de toxicologia animal lho indique especificamente. A atitude correta depende do produto, do momento da ingestão e do estado do cão. Um remédio caseiro pode causar lesões, agravar os vómitos ou atrasar os cuidados adequados.

Sinais a que deve estar atento enquanto procura ajuda

Os sinais relacionados com o chocolate podem incluir vómitos, diarreia, aumento da sede ou da frequência urinária, inquietação, respiração ofegante, batimento cardíaco acelerado ou irregular, tremores, falta de coordenação, convulsões, fraqueza ou colapso. Podem não surgir todos e o cão pode parecer normal antes de o problema se tornar evidente. Não interprete a ausência de sinais como motivo para esperar.

A suspeita de exposição ao xilitol tem o seu próprio padrão de alerta. Vómitos, fraqueza, sonolência, falta de equilíbrio, tremores, convulsões, colapso ou sinais posteriores, como gengivas ou olhos amarelados, exigem cuidados veterinários imediatos. Os problemas relacionados com o xilitol podem desenvolver-se rapidamente ou surgir mais tarde, por isso é importante ter o rótulo exato e seguir as orientações de um profissional.

Os problemas relacionados com a gordura podem manifestar-se através de vómitos repetidos, desconforto abdominal, postura encurvada ou defensiva, diarreia, perda de apetite ou cansaço acentuado. Em casa, pode ser difícil distingui-los de outros problemas. Informe o profissional sobre estes sinais, em vez de tentar tratá-los com comida, suplementos ou medicamentos.

Sinais de emergência exigem deslocação, não observação em casa

  • Convulsões, colapso, falta de resposta ou tremores intensos.
  • Dificuldade em respirar, gengivas azuladas ou muito pálidas, ou um agravamento rápido do estado geral.
  • Incapacidade de se pôr de pé ou andar, fraqueza extrema ou agitação intensa que não acalma.
  • Vómitos repetidos, sangue, dor abdominal intensa, abdómen inchado ou esforços repetidos e improdutivos para vomitar.
  • Ingestão confirmada ou possível de xilitol ou açúcar de bétula, sobretudo se houver sinais de fraqueza ou falta de coordenação.

Estes sinais não permitem saber qual é a toxina ou doença envolvida. Indicam que o cão precisa de cuidados presenciais. Se conseguir fazê-lo em segurança, ligue para o hospital durante o trajeto.

Homem a falar ao telefone enquanto um cão descansa nas proximidades

O que o veterinário ou o profissional de toxicologia poderá precisar de avaliar

A primeira avaliação costuma combinar os dados do produto com o peso do cão, a quantidade ingerida, o momento da ingestão, os sintomas e o historial clínico. A equipa veterinária poderá examinar o cão, avaliar a hidratação e os sinais neurológicos ou cardiovasculares e decidir se são adequados a monitorização, análises ao sangue ou outro tratamento. Uma suspeita de exposição ao xilitol pode exigir a monitorização da glicemia e do fígado. Uma exposição ao chocolate pode exigir atenção ao ritmo cardíaco, à tensão arterial, aos tremores, às convulsões, aos vómitos ou ao equilíbrio de líquidos.

Se o cão estiver estável e o momento da ingestão e o seu estado o permitirem, o veterinário poderá indicar uma medida de descontaminação. Essa decisão cabe ao profissional. A Cornell, a VCA e a Veneno para animais de estimação Helpline deixam claro que o tratamento depende de cada caso e que o tutor não deve improvisar um plano para provocar o vómito ou administrar medicamentos.

Leve a embalagem, fotografias do rótulo e um registo escrito da exposição. Se não tiver a certeza da quantidade, diga-o. Uma estimativa incerta continua a ser útil quando acompanhada da informação sobre o produto, o peso do cão e o intervalo de tempo.

Nutella e cães: perguntas frequentes

Os cães podem comer Nutella normal?

A Nutella não é um alimento adequado para cães. Os compostos do cacau, a gordura e o açúcar podem causar problemas diferentes, e a reação depende da fórmula exata e da quantidade ingerida. Se o seu cão comeu Nutella, contacte um veterinário ou um serviço de toxicologia animal, em vez de considerar o nome da marca um indicador de segurança.

Uma pequena lambidela é automaticamente uma emergência?

Não é possível avaliar uma exposição apenas com base na palavra “pequena”. O peso do cão, a fórmula do produto, a quantidade, os outros ingredientes, o momento da ingestão e o estado de saúde são todos relevantes. Em alguns casos, uma pequena quantidade pode ser menos preocupante do que uma ingestão elevada, mas isso não garante que seja segura. Ligue para obter orientação personalizada, sobretudo se se tratar de um cão pequeno, de um cachorro, de um cão com problemas de saúde ou se a quantidade for desconhecida.

A Nutella normal contém xilitol?

A fórmula regional da Ferrero indicada acima não menciona xilitol, mas os produtos e as variantes podem ser diferentes. Verifique o frasco exato envolvido na ingestão. Os cremes para barrar sem açúcar ou com baixo teor de açúcar podem conter xilitol ou açúcar de bétula. Se o rótulo o indicar ou se não conseguir excluí-lo, contacte imediatamente um veterinário ou um serviço de toxicologia animal.

Que quantidade de Nutella é perigosa para um cão?

Não existe uma quantidade segura única que possa ser indicada para todos os cães e todos os cremes para barrar. Um profissional poderá utilizar o peso do cão, a quantidade ingerida e as informações do produto para estimar a exposição e ter em conta os sintomas, a gordura, a embalagem e o historial clínico. Não use uma quantidade fixa em colheres de chá, colheres de sopa ou tabelas baseadas no peso como garantia de segurança.

A Nutella é menos perigosa do que o chocolate negro?

Alguns cremes para barrar contêm menos cacau do que o chocolate negro, mas isso não significa que sejam seguros. A proporção de cacau e o teor de metilxantinas variam, e a gordura e o açúcar também podem causar problemas. Uma comparação baseada num menor teor de cacau nunca deve substituir o contacto específico sobre o produto ingerido.

A gordura pode causar pancreatite mesmo que não seja provável uma intoxicação por chocolate?

Sim. A ingestão de alimentos gordos pode causar perturbações digestivas e desencadear pancreatite em alguns cães, mesmo quando a toxicidade por metilxantinas não é a principal preocupação. Vómitos repetidos, dor abdominal, diarreia, diminuição do apetite ou letargia invulgar exigem aconselhamento veterinário.

Devo provocar o vómito ao meu cão?

Não. Não provoque o vómito nem tente desintoxicar o cão em casa, a menos que um veterinário ou especialista em intoxicações lhe dê instruções específicas nesse sentido. A decisão depende do que foi ingerido, de quando foi ingerido, do estado do cão e do risco de aspiração ou de outros danos.

O meu cão parece bem. Posso esperar para ver como evolui?

O facto de parecer normal não significa que esteja fora de perigo. Os sinais de intoxicação por chocolate podem surgir mais tarde, e os problemas causados pelo xilitol ou pela gordura podem seguir uma evolução diferente. Ligue rapidamente e indique o rótulo, a quantidade, a hora, o peso e os sinais atuais, para que um profissional lhe diga o que fazer a seguir.

E se o meu cão tiver comido Nutella com pão ou numa sobremesa?

Diga ao profissional qual foi o alimento completo, não apenas o creme. O pão, as bolachas e as sobremesas podem acrescentar chocolate, café, passas, nozes de macadâmia, xilitol ou problemas relacionados com a embalagem. Se possível, guarde a receita ou a embalagem e indique todos os ingredientes que conseguir identificar.

Fontes e leituras complementares

Este guia tem fins informativos e não permite diagnosticar uma intoxicação, pancreatite ou outra doença. Em caso de ingestão, recorra ao rótulo exato do produto e às orientações de um profissional veterinário.