Espirro invertido em cães: sinais, causas e sinais de alerta

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Plano de 60 segundos para o espirro reverso do cão, testado por veterinários

Um cão que começa subitamente a fungar, estica o pescoço e puxa o ar para dentro pode parecer estar a sufocar. Muitas vezes, trata-se de um espirro reverso, também conhecido como respiração paroxística. No entanto, só o som não permite excluir uma tosse, um corpo estranho ou um problema nas vias respiratórias. Observe o cão como um todo, proteja as vias respiratórias e use os sinais de alarme abaixo para decidir se deve apenas vigiar, contactar o veterinário ou procurar assistência urgente.

A resposta curta

Um episódio breve de espirro reverso pode terminar com uma respiração e um comportamento normais. Mantenha a calma, evite fazer manobras forçadas e registe o que aconteceu. Não feche as narinas, não force o cão a beber água nem introduza os dedos na boca. Se o cão tiver dificuldade em respirar, gengivas azuladas ou pálidas, desmaiar, tiver tosse persistente, sinais de sufocação ou não conseguir recuperar, contacte imediatamente um veterinário de urgência.

Como se manifesta um espirro reverso?

Durante um espirro reverso, o ar entra rapidamente pelo nariz, em vez de sair, como acontece num espirro normal. Poderá observar fungadelas ou inspirações súbitas e repetidas, a boca fechada, as narinas dilatadas, o pescoço esticado, a cabeça inclinada para trás e os cotovelos afastados do corpo. O episódio pode durar alguns segundos ou mais, e o cão poderá voltar ao seu comportamento habitual depois.

Este padrão é uma descrição útil, mas não permite fazer um diagnóstico em casa. A Cornell e a VCA referem que uma irritação na parte posterior do nariz ou da garganta pode desencadear espirros reversos. Poeiras, pólen, fumo, odores, ervas, secreções, excitação, pressão da trela, comer ou beber demasiado depressa, materiais estranhos, infeções, parasitas, massas, doenças das vias respiratórias inferiores e alterações das vias respiratórias associadas a raças braquicefálicas são possíveis contextos. Por vezes, não é encontrada uma causa evidente.

Mantenha a atenção na respiração e na recuperação, em vez de tentar parar o ruído a qualquer custo. Um cão alerta, que respira normalmente entre episódios e volta a comportar-se como habitualmente, dá-nos informações diferentes de um cão que continua angustiado ou desenvolve outro sinal.

Terrier de pequeno porte a olhar para cima dentro de casa durante uma observação tranquila

Espirro reverso, tosse ou sufocação?

As diferenças abaixo podem ajudá-lo a descrever um episódio. Não substituem uma avaliação veterinária, sobretudo quando o cão tem dificuldade em respirar.

Padrão Sinais que poderá notar O que aumenta a urgência
Espirro reverso Fungadelas repetidas para dentro, pescoço esticado, boca geralmente fechada e episódio breve. Episódios persistentes ou cada vez mais frequentes, corrimento, fraqueza ou respiração anormal entre episódios.
Espirro normal Expulsão forte de ar pelo nariz, por vezes acompanhada de esfregar a cara ou de corrimento. Sangue, corrimento de apenas uma narina, espirros repetidos, dor facial ou dificuldade em respirar.
Tosse Expulsão forte de ar pelas vias respiratórias, seca ou produtiva, por vezes com um som semelhante ao grasnar de um ganso. Tosse repetida, pieira, menor tolerância ao exercício, febre, corrimento ou tosse que não acalma.
Possível sufocação Tosse, engasgamento, salivação excessiva, levar as patas à boca, agitação com a boca aberta ou um objeto visível. Qualquer dificuldade em respirar, lábios ou língua azulados ou pálidos, desmaio ou incapacidade de fazer passar o ar constitui uma emergência.
Dificuldade respiratória Respiração difícil ou ruidosa, respiração de boca aberta em repouso, fraqueza, angústia ou desmaio. Não espere por um remédio caseiro. Contacte um hospital veterinário de urgência e siga as instruções para transportar o cão em segurança.

Porque são importantes o desencadeante e a recuperação

O espirro reverso pode surgir depois de um momento de excitação, de um puxão na coleira, de beber depressa, de comer, de cheirar um chão poeirento, de estar exposto a fumo ou fragrâncias, ou de uma mudança no ambiente. Anote o que aconteceu imediatamente antes do episódio e se o cão voltou ao normal depois. Isto pode revelar um contexto recorrente, mas não prova que um determinado alergénio, infeção, parasita ou corpo estranho seja responsável.

Afaste o possível agente irritante, desde que o possa fazer em segurança. Afaste o cão de fumo, sprays em aerossol, fragrâncias intensas, poeiras ou de uma zona acabada de limpar. Não adie a assistência de emergência para testar uma hipótese relacionada com o ambiente. Se o cão continuar a tossir, tiver corrimento nasal, levar as patas à cara, recusar comida, se cansar facilmente ou tiver episódios cada vez mais frequentes, marque uma avaliação veterinária.

As gravações são especialmente úteis, porque muitos episódios já terminaram quando chega a consulta. Um vídeo curto, gravado a uma distância segura, pode mostrar o padrão do fluxo de ar, a postura, a boca, o som e a recuperação. Não aproxime as mãos da boca nem imobilize o cão apenas para conseguir uma gravação melhor.

Os cães de focinho curto exigem atenção redobrada à respiração

Bulldogs franceses, pugs, bulldogs ingleses, terriers de Boston, boxers, pequineses, shih-tzus e outros cães de focinho curto podem apresentar anomalias das vias respiratórias associadas à braquicefalia. A Cornell e a VCA descrevem possíveis narinas estreitas, palato mole alongado, traqueia de menor calibre ou outras alterações dos tecidos que aumentam o esforço necessário para respirar. O calor, a humidade, a excitação, o exercício e o stress podem dificultar ainda mais a respiração.

Um cão de focinho curto pode ter uma fungadela habitual e, ainda assim, desenvolver uma emergência respiratória. Não considere a respiração de boca aberta, as gengivas azuladas ou pálidas, o desmaio, a perda de consciência, o engasgamento intenso ou a respiração difícil como sendo “apenas da raça”. Leve-o para um local fresco e tranquilo, se isso não atrasar a assistência, contacte o veterinário ou o hospital veterinário de urgência e siga as instruções de transporte que receber. Evite exercer pressão à volta do pescoço ou cobrir-lhe a cara.

Pessoa a pousar delicadamente a mão junto ao pescoço de um bulldog francês dentro de casa

O que deve fazer durante um episódio?

  1. Pare e observe o cão como um todo. Verifique se o ar está a passar, se a boca está aberta ou fechada, o aspeto das gengivas e da língua e se o cão consegue manter-se de pé e recuperar.
  2. Mantenha a voz e os movimentos tranquilos. Manter a calma pode evitar mais agitação. Dê espaço ao cão, sem lhe apertar o focinho ou a garganta.
  3. Afaste um irritante ambiental evidente, se o puder fazer em segurança. Se houver fumo, spray, pó ou um odor intenso, afaste o cão desse local sem o perseguir nem o transportar, a menos que seja necessário.
  4. Não force uma ação específica. Não tape as narinas, não force o cão a beber água nem a engolir, não pressione a garganta e não introduza os dedos na boca. Estas ações podem aumentar o stress, criar risco de mordedura ou atrasar os cuidados quando o problema não é um espirro reverso.
  5. Procure ajuda quando o quadro não for típico. Dificuldade em respirar, sinais de asfixia, gengivas azuladas ou pálidas, colapso, fraqueza intensa ou falta de recuperação significam que deve contactar já um veterinário de urgência.

Algumas páginas de informação veterinária referem as carícias suaves ou a deglutição como opções para episódios específicos e sem complicações. Isso não significa que uma determinada manobra seja adequada para todos os cães ou para todos os sons. Se o cão se afastar, ficar mais agitado, tossir, tiver ânsia de vómito ou não conseguir respirar confortavelmente, pare de tentar intervir e procure orientação profissional.

Quando não deve esperar em casa

Procure cuidados de emergência se houver dificuldade em respirar, falta de ar, respiração de boca aberta em repouso, gengivas ou língua azuis ou brancas, colapso, perda de consciência, agitação intensa com tentativas de levar as patas à boca ou suspeita de que um objeto está a bloquear as vias respiratórias. A Merck e a AVMA recomendam contactar um veterinário para receber instruções em situações de emergência e alertam que um animal ferido ou assustado pode morder. Mantenha o rosto e as mãos afastados da boca, a menos que um profissional de emergência lhe dê instruções diretas.

Marque uma consulta veterinária em tempo útil quando o espirro reverso for contínuo ou ocorrer com frequência, quando houver tosse repetida, pieira, corrimento nasal, sangue, tentativas de levar as patas ao focinho, intolerância ao exercício, febre, falta de apetite ou uma alteração súbita em relação ao padrão habitual do cão. O veterinário poderá usar o historial e o exame clínico para decidir se é necessário investigar o nariz, a garganta, a traqueia, os pulmões, os dentes ou outro sistema.

Leve um vídeo e um registo simples. Anote a data, o local, a atividade, um possível irritante, a duração, a postura, a posição da boca, o som, qualquer corrimento, a cor das gengivas ou da língua, a capacidade de comer ou beber e a recuperação. Inclua a raça, a idade, a medicação atual, problemas anteriores das vias respiratórias e se o episódio ocorreu depois de calor, exercício, excitação, comer, beber ou pressão da trela. Um registo ajuda o profissional a fazer perguntas mais pertinentes, mas não permite diagnosticar a causa.

Beagle a descansar numa cama macia, numa divisão tranquila

Perguntas frequentes

O espirro reverso é o mesmo que asfixia?

Não. O espirro reverso consiste em inspirações repetidas para dentro e, muitas vezes, termina com uma respiração normal. A asfixia pode incluir tosse, ânsia de vómito, salivação excessiva, tentativas de levar as patas à boca, agitação com a boca aberta, dificuldade em fazer o ar passar ou uma coloração azulada ou pálida. Se tiver dúvidas e a respiração estiver alterada, trate a situação como uma emergência e peça ajuda.

O espirro reverso é o mesmo que uma tosse?

Não. A tosse é uma expulsão forçada de ar para fora das vias respiratórias. Uma tosse seca semelhante ao grasnar de um ganso pode ocorrer em problemas como o colapso da traqueia ou a tosse do canil, mas o som, por si só, não é suficiente para identificar a causa. Uma tosse repetida ou persistente precisa de ser avaliada por um veterinário.

Devo tapar o nariz do meu cão para parar um espirro reverso?

Não considere tapar o nariz uma solução universal para fazer em casa. Um cão com outro problema nas vias respiratórias pode precisar de continuar a fazer o ar circular, e um cão assustado pode morder. Mantenha a calma, observe e contacte um veterinário se o episódio for intenso, prolongado, desconhecido ou acompanhado por uma respiração anormal.

Devo obrigar o meu cão a beber água?

Não. Não force o cão a beber água nem a engolir durante um episódio respiratório assustador. Deixe água disponível quando o cão estiver calmo e conseguir engolir normalmente, mas contacte um veterinário se tiver dificuldade em engolir, estiver a babar-se, tiver ânsia de vómito, tossir ou não conseguir respirar confortavelmente.

O pó ou uma fragrância podem desencadear um espirro reverso?

O pó, o pólen, o fumo, os odores e outros irritantes podem ser possíveis desencadeadores, mas uma observação em casa não permite provar qual deles é responsável. Afaste um irritante evidente quando for seguro fazê-lo, melhore a ventilação e registe o contexto. Episódios repetidos ou outros sinais respiratórios precisam de avaliação profissional.

Os bulldogues franceses têm maior probabilidade de ter dificuldades respiratórias?

As raças de focinho curto podem apresentar alterações braquicefálicas das vias respiratórias e ser mais vulneráveis ao calor, à excitação, ao exercício e ao stress. O contexto da raça não permite diagnosticar um problema. Respiração de boca aberta em repouso, respiração difícil, gengivas azuladas ou pálidas, colapso ou ânsia de vómito intensa são sinais de emergência.

Quando devo gravar um vídeo?

Grave a uma distância segura quando o cão conseguir respirar e a gravação não atrasar os cuidados. Se possível, capte o local, a postura, a boca, o som e a recuperação. Nunca imobilize o cão, aproxime o rosto da boca nem tente chegar a um cão escondido ou angustiado para obter imagens.

E se os episódios continuarem a acontecer?

Marque uma consulta veterinária, sobretudo se a frequência ou a intensidade se alterarem, ou se surgirem tosse, corrimento, sangue, pieira, intolerância ao exercício, falta de apetite ou alterações de comportamento. O veterinário poderá decidir se é adequado fazer exames ou testes adicionais.

Qual é o primeiro passo mais seguro perante uma suspeita de emergência das vias respiratórias?

Proteja-se, evite introduzir os dedos na boca, contacte um veterinário ou um hospital veterinário de urgência e siga as instruções para os cuidados imediatos e o transporte. Não perca tempo a tentar uma manobra específica para o espirro reverso quando o cão estiver com dificuldade em respirar.

Fontes e leituras adicionais

Estas fontes fundamentam as distinções e os critérios para procurar ajuda acima referidos. Apresentam orientações veterinárias gerais, não um diagnóstico para um cão específico.

Para obter mais orientações práticas e tranquilas sobre os cuidados a ter com animais de companhia, visite Recursos para tutores de animais de companhia.

Este guia tem fins informativos e não permite diagnosticar espirros reversos, tosse, engasgamento, doenças das vias respiratórias ou síndrome das vias respiratórias dos braquicefálicos. Se o seu cão tiver dificuldade em respirar, gengivas azuladas ou pálidas, sofrer um colapso ou houver suspeita de engasgamento, contacte imediatamente um veterinário de urgência.

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