Lesão no jarrete do cão: inchaço, coxeira e sinais de alerta veterinários
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É difícil identificar uma lesão no jarrete de um cão em casa, porque o jarrete se encontra numa zona do membro posterior onde há várias estruturas próximas. A estrutura dolorosa pode ser um tendão, ligamento, articulação, osso, pele, pata, joelho, anca, coluna ou nervo. O inchaço e a claudicação podem ajudar a orientar as dúvidas, mas não permitem diagnosticar a lesão.
Por agora, mantenha o cão tranquilo, impeça-o de correr, saltar, subir escadas e brincar de forma bruta, e use uma trela curta nas saídas para fazer as necessidades. Não massaje a perna, não force o jarrete a mover-se, não aplique uma tala ou ligadura de compressão e não dê medicamentos humanos nem sobras de medicação para as dores antes de receber orientação de um veterinário.
Contacte prontamente um veterinário se o cão apresentar uma claudicação nova ou persistente. Procure atendimento urgente se o cão não conseguir apoiar o peso, tiver um inchaço acentuado, uma ferida aberta, hemorragia, um ângulo anormal do membro, o jarrete descaído, a pata fria ou com alteração de cor, dor intensa, colapso ou tiver sofrido um trauma grave.
Onde fica o jarrete de um cão?
O jarrete é a região társica da parte inferior do membro posterior, acima da pata e abaixo do joelho. É frequentemente comparado a um tornozelo, mas os cães apoiam-se e caminham sobre os dedos, pelo que os ossos e a forma como suportam o peso são diferentes dos de um tornozelo humano.
Para localizar aproximadamente a zona sem dobrar a perna, procure a articulação muito angulada logo acima da pata traseira. O joelho fica mais acima e mais próximo do corpo. A pata inclui os dedos, as almofadas, as unhas e a pele entre os dedos. Um cão pode lamber ou proteger uma zona enquanto a origem da dor se encontra noutro local.
O guia do American College of Veterinary Surgeons sobre o tendão de Aquiles explica que o tendão calcâneo comum, frequentemente chamado tendão de Aquiles, é formado por vários tendões e se fixa perto da extremidade do jarrete. Um problema nessa zona pode alterar a forma como o cão se mantém de pé e impulsiona o corpo.
Que estruturas podem ser afetadas à volta do jarrete?
Vários tecidos partilham esta pequena zona. Uma observação visual pode ajudá-lo a descrever o que vê, mas não permite determinar qual tecido está lesionado.
Tendões
O tendão calcâneo comum ajuda a estender o jarrete. Uma lesão grave pode provocar inchaço, uma postura apoiada sobre a planta da pata ou com o jarrete descaído, uma posição dos dedos semelhante a garras e dificuldade em suportar o peso. Estes sinais requerem avaliação veterinária, não uma tentativa de imobilização em casa.
Ligamentos e estruturas articulares
Os ligamentos ajudam a estabilizar as articulações társicas. Uma inflamação articular, uma entorse, uma fratura ou uma lesão instável podem causar dor, inchaço, rigidez ou uma passada mais curta. Um cão pode ter uma lesão articular significativa sem apresentar uma marca evidente na pele.
Pele, almofadas e unhas
Um corte, uma perfuração, uma unha arrancada, um espinho, uma pragana ou uma infeção podem levar o cão a levantar a pata. Se o cão estiver calmo e permitir, observe a pata e o espaço entre os dedos sem apertar o jarrete. Pare se o cão resistir, ganir, proteger o membro ou tentar morder. Não mexa numa ferida nem tente retirar um objeto profundamente alojado.
Joelho, anca, coluna e nervos próximos
Um problema no joelho, na anca, na coluna ou nos nervos pode alterar a marcha dos membros posteriores e fazer com que o jarrete pareça ser a origem do problema. Observe se o cão arrasta os dedos, dobra a pata sobre a parte superior, cambaleia, apresenta fraqueza em mais do que um membro ou sofre alterações no controlo da bexiga. Estes sinais requerem orientação veterinária rápida.
As orientações do Merck Veterinary Manual para o exame ortopédico incluem o inchaço, a dor, a instabilidade, a amplitude de movimento reduzida e a perda de massa muscular entre as alterações que um veterinário pode avaliar. Também descrevem a radiografia, a ecografia, a tomografia computorizada e a ressonância magnética como possíveis ferramentas de diagnóstico, consoante a estrutura suspeita.
Sintomas de lesão no jarrete do cão que pode observar com segurança
Anote o que observa em vez de testar repetidamente a perna. Entre as observações úteis estão:
- qual das patas traseiras está afetada e se a claudicação começou de repente ou gradualmente;
- se o cão apoia todo o peso, toca no chão apenas com os dedos ou mantém a pata levantada;
- onde aparece inchaço, calor, nódoas negras, secreção ou uma ferida;
- se o ângulo do jarrete ou a posição da pata parecem diferentes do outro lado;
- se o cão lambe a pata, o jarrete ou uma zona mais acima do membro;
- se o cão consegue manter-se de pé, virar-se, sentar-se, levantar-se e dar os passos necessários;
- alterações no apetite, no sono, na respiração ofegante, no humor, na micção ou nos movimentos intestinais;
- quedas, saltos, colisões, exercício, problemas nas unhas, mordeduras ou exposição recente a medicamentos.
Um vídeo curto da claudicação natural numa superfície segura pode ajudar o veterinário, mas não chame o cão repetidamente, não o faça correr nem dobre a articulação dolorosa para a câmara. Os cães podem movimentar-se de forma diferente na clínica.
Quando é urgente uma lesão no jarrete do cão?
Para decidir com que rapidez deve telefonar, tenha em conta o sinal mais preocupante, não uma avaliação feita em casa.
Contacte prontamente um veterinário se
- a claudicação persistir, voltar repetidamente ou piorar;
- o cão apresentar inchaço localizado, calor, lambidelas repetidas ou dor evidente;
- o cão mostrar relutância em levantar-se, subir, virar-se ou usar normalmente o membro posterior;
- a zona dolorosa não é clara ou o cão apresenta outras alterações na marcha ou neurológicas.
Procure atendimento no próprio dia ou urgente
- o cão não apoia a pata após uma lesão súbita ou a claudicação é intensa;
- há um inchaço acentuado ou que aumenta rapidamente, um membro pendente, uma deformidade ou um ângulo anormal do jarrete;
- há uma ferida aberta, hemorragia que não para, uma mordedura, tecido exposto ou suspeita de fratura;
- a pata está fria, pálida, azulada ou apresenta outra alteração de cor, ou o cão desmaia ou não consegue manter-se de pé;
- ocorreu um traumatismo grave, como um atropelamento, uma queda ou uma luta.
Orientações da VCA sobre atendimento urgente recomendam uma avaliação quando a dor impede o animal de andar ou de usar um membro, e atendimento de emergência em caso de fratura evidente, incapacidade de se manter de pé ou andar sem ajuda, ou traumatismo grave. Mesmo uma claudicação aparentemente ligeira pode justificar uma consulta se não melhorar.
O que fazer em casa enquanto espera pelo veterinário
- Leve o cão para uma área pequena e tranquila, com um piso seguro e antiderrapante.
- Impeça-o de correr, saltar, subir escadas, brincar à busca, fazer brincadeiras bruscas ou andar sem trela.
- Use uma trela curta para saídas lentas e diretas para fazer as necessidades. Evite passos desnecessários.
- Mantenha água e uma cama baixa por perto e separe o cão de animais de companhia mais brincalhões.
- Observe a pata e a pele visível apenas se o cão estiver confortável. Não manipule o jarrete.
- Registe a hora de início, o apoio da pata, o inchaço, a ferida, a marcha, o apetite e quaisquer alterações.
- Ligue para a clínica veterinária, descreva o que observou e pergunte como deve transportar o cão.
Se o cão não conseguir andar, pergunte à clínica como o deve deslocar. Apoie o corpo em vez de puxar pela pata lesionada. Uma manta ou uma transportadora adequada podem ajudar no transporte, mas o método depende do tamanho do cão, da dor e da lesão suspeita.
Por que não deve massajar, imobilizar, ligar ou medicar a pata por sua conta?
A massagem e a flexão repetida podem agravar uma fratura instável, uma lesão de um tendão, uma lesão articular ou uma ferida dolorosa. Uma ortótese ou ligadura compressiva pode ficar sobre a estrutura errada, ocultar o inchaço, restringir a circulação, reter humidade ou causar uma lesão por pressão. Um medicamento que tenha sobrado de uma receita pode não ser adequado para este cão, para esta lesão ou para outro medicamento que já esteja a ser administrado.
O guia do AKC sobre claudicação alerta que uma manipulação sem formação pode agravar as lesões do cão e recomenda mantê-lo calmo enquanto se trata de obter cuidados veterinários. As orientações da FDA sobre analgésicos para animais de companhia indicam que não deve dar medicamentos a um animal sem falar primeiro com um veterinário. Não utilize ibuprofeno, naproxeno, paracetamol, aspirina ou medicamentos de outro animal como substitutos em casa.
O frio, o calor, uma pomada de aplicação tópica ou uma ligadura podem ser adequados num plano veterinário específico, mas é necessário avaliar primeiro a causa e o estado da pele. Não improvise um tratamento só porque o inchaço se assemelha a uma entorse.
O que acontece durante a consulta veterinária?
O veterinário irá perguntar quando começaram os sinais, o que o cão estava a fazer, se consegue apoiar a pata e se o problema está a alterar-se. O exame pode incluir observar o cão a andar, verificar a pata e o membro, palpar os ossos e os tecidos moles, avaliar a estabilidade articular e a amplitude de movimento, e fazer uma avaliação do sistema neurológico.
As radiografias podem ajudar a avaliar os ossos, as articulações társicas, o calcâneo, o alinhamento e algumas causas de inchaço. A ecografia pode mostrar partes dos tendões e de outros tecidos moles. Pode considerar-se uma TAC ou uma ressonância magnética quando é necessária uma análise mais detalhada. O exame adequado depende da avaliação clínica e da estrutura suspeita. Um aspeto exterior normal não exclui uma lesão mais profunda.
A ACVS refere que, quando o problema é localizado no tendão de Aquiles e no tornozelo, podem ser utilizados o exame físico, radiografias, ecografia, TAC ou ressonância magnética para avaliar a lesão e orientar o tratamento. O plano de tratamento pode incluir suporte externo, cirurgia, reabilitação, repouso ou outra opção. Essa decisão cabe à equipa veterinária após o diagnóstico.
Quando pode ser considerada uma ortótese ou um suporte para o jarrete?
Apenas depois de um veterinário identificar o problema e decidir que o suporte externo deve fazer parte do plano. Uma ortótese não é um teste de diagnóstico nem um tratamento garantido para um jarrete inchado, doloroso ou sem apoio de peso.
Se um veterinário recomendar uma ortótese, pergunte como deve ser introduzida, durante quanto tempo deve ser utilizada, se pode ser retirada para o repouso ou para o cão fazer as necessidades e com que frequência deve verificar a pele e o inchaço. Durante cada verificação orientada, procure novos sinais de fricção, humidade, marcas de pressão, alterações na temperatura ou na cor da pata, mudanças na marcha, mais lambidelas ou maior desconforto. Pare e contacte a clínica se notar alguma destas alterações.
Não coloque um produto sobre uma ferida aberta, uma suspeita de fratura, um inchaço intenso, uma secreção ou um jarrete descaído, a menos que o veterinário dê instruções diretas nesse sentido. O ajuste e o plano de utilização devem corresponder à estrutura diagnosticada, à pele do cão e à atividade prevista.
Como deve limitar a atividade durante a recuperação?
Até conhecer a causa, reduza os impactos e o risco de escorregar. Utilize uma cobertura segura para o chão, bloqueie o acesso a escadas e móveis, mantenha as saídas para fazer as necessidades curtas e evite mudanças bruscas de direção ou brincadeiras. Não conclua que o cão está recuperado só porque dá alguns passos normais. A dor pode variar e o cão pode compensar apoiando-se noutro membro.
Depois da avaliação, siga o plano de atividade definido pelo veterinário. Algumas lesões exigem uma restrição rigorosa, outras requerem um plano de reabilitação faseado e algumas precisam de um procedimento ou de encaminhamento para um especialista. Não existe um prazo de recuperação único que seja seguro prometer para todos os problemas dos tendões, ligamentos, articulações, ossos, pele ou patas.
Para observações mais abrangentes de todo o membro, consulte o nosso guia de triagem para cães com claudicação da pata traseira. Se o seu veterinário recomendar uma área de repouso estável, o nosso guia sobre camas ortopédicas para a recuperação abrange formas de adaptar o ambiente em casa para dar apoio, sem substituir o plano de tratamento.
Perguntas frequentes
Como posso saber se o meu cão tem uma entorse do jarrete?
Não é possível confirmar uma entorse em casa. Uma claudicação, inchaço, dor ou menor apoio do peso também podem dever-se a uma fratura, lesão de um tendão ou ligamento, doença articular, problema na pata, infeção ou doença neurológica. Restrinja a atividade e peça a um veterinário que identifique a origem do problema.
Uma claudicação da pata traseira, sem apoiar o peso, é uma emergência?
Pode ser. Um cão que, de repente, deixa de apoiar o peso numa pata deve ser avaliado rapidamente por um veterinário, sobretudo se apresentar dor intensa, inchaço, deformidade, um traumatismo grave ou uma pata fria ou com alteração de cor. Mantenha-o quieto e telefone antes de o transportar.
O que significa um jarrete descido ou com apoio plantígrado?
Uma postura com o jarrete descido ou com apoio plantígrado pode ocorrer devido a um problema grave no tendão calcâneo comum, mas a postura, por si só, não permite fazer um diagnóstico. Não teste o tendão forçando movimentos nem colocando uma ortótese. Marque uma avaliação veterinária urgente.
Devo massajar o jarrete inchado do meu cão?
Não. Não massaje nem dobre repetidamente um jarrete doloroso antes de saber a causa. A manipulação pode agravar uma lesão instável e provocar uma mordedura dolorosa. Pergunte ao veterinário que cuidados manuais, se algum, são adequados.
Posso colocar uma ortótese no jarrete antes da consulta veterinária?
Não coloque por sua iniciativa uma ortótese num jarrete inchado, doloroso ou sem apoio de peso cuja causa não esteja esclarecida. A ortótese pode ser aplicada na estrutura errada, ocultar o inchaço, restringir a circulação ou irritar a pele. Só use suporte externo quando a equipa veterinária o tiver escolhido e explicado como o ajustar e vigiar.
Posso dar ibuprofeno ao meu cão ou um analgésico que tenha sobrado?
Não. Não dê analgésicos para uso humano nem medicamentos receitados para outro animal, a menos que o veterinário o indique especificamente. O medicamento ou a dose errados podem causar danos graves e dificultar o plano veterinário.
Devo usar gelo, calor ou uma ligadura de compressão?
Não aplique por sua iniciativa calor, frio, pomadas ou compressão num problema do jarrete cuja causa não esteja esclarecida. Os primeiros cuidados adequados dependem da causa, da circulação, do estado da pele e do inchaço. Mantenha o cão quieto e peça instruções específicas à clínica veterinária.
O meu cão pode usar escadas com uma lesão no jarrete?
Até o veterinário indicar o contrário, bloqueie o acesso às escadas e aos móveis e mantenha as saídas para fazer as necessidades curtas e com trela. As escadas e os saltos aumentam a carga sobre o membro e o risco de queda. Se o cão não conseguir andar em segurança, pergunte à clínica como o deve transportar.
Quando é que uma lesão no jarrete do cão precisa de exames de imagem?
A decisão cabe ao veterinário, depois de examinar o cão. As radiografias podem avaliar os ossos e o alinhamento das articulações, enquanto a ecografia, a tomografia computorizada ou a ressonância magnética podem fornecer informações adicionais sobre tendões, ligamentos e outros tecidos moles. O exame de imagem é escolhido de acordo com a estrutura suspeita, não com base numa regra fixa.
Quanto tempo demora a cicatrizar uma lesão no jarrete de um cão?
Não existe um prazo universal seguro. A recuperação depende da estrutura afetada, da gravidade da lesão, do tratamento, do estado da pele, do plano de atividade e da resposta do cão. Siga o plano de reavaliação veterinária em vez de aumentar a atividade só porque a claudicação melhora temporariamente.
O que devo registar antes de telefonar ao veterinário?
Registe quando começou a claudicação, se ocorreu algum traumatismo, qual é o membro afetado, se apoia o peso, a presença de inchaço ou feridas, a cor e a temperatura da pata, alterações na marcha, o apetite, os medicamentos e qualquer agravamento. Um vídeo curto, feito naturalmente, pode ser útil, desde que não implique fazer o cão andar mais.
Fontes e leituras adicionais
Estas fontes fundamentam as informações sobre anatomia, claudicação, exames de imagem, primeiros socorros, limites da medicação para a dor e lesões dos tendões abordadas neste guia. Fornecem informação geral, não um diagnóstico nem uma garantia de recuperação num prazo determinado.
- American College of Veterinary Surgeons: lesões do tendão de Aquiles
- Merck Veterinary Manual: exame da claudicação em pequenos animais
- VCA Animal Hospitals: primeiros socorros para cães com claudicação
- VCA Urgent Care: dor ou claudicação
- American Kennel Club: porque é que o meu cão está a coxear?
- U.S. Food and Drug Administration: conheça os factos sobre os analgésicos para animais de companhia
- VCA Animal Hospitals: medicina de reabilitação veterinária
- American Kennel Club: tudo o que precisa de saber sobre os cuidados a ter com feridas em cães
Nota informativa: este artigo não pode diagnosticar um problema no jarrete, tendão, ligamento, articulação, pele, pata, sistema neurológico ou coluna do seu cão; determinar se uma ortótese é adequada; receitar medicação para a dor; nem substituir um exame e aconselhamento veterinários.